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  Opinião - Economia

Harri Gervásio: Pós Crise

Por farrapo.rs
16/04/2018 09:14
 
 

Harri Gervásio Economista

O Caçapavano, Harri Goulart Gervásio é um profissional liberal, formado em Economia pela Universidade Federal de Santa Maria, Pós-Graduado em Administração de Empresas pela UFRGS e Pós-Graduado em Gestão Empresarial pela URCAMP. Técnico em Transações Imobiliárias pelo Senac.

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É possível que muitos desconheçam a realidade do momento pós-crise e principalmente das consequências advindas deste. Sem duvida nenhuma o Brasil enfrentou a pior crise econômica dos últimos tempos e de lambuja vieram os modos bicudos da área politica, que  prejudicou muito a situação. Foram 30 meses de recessão, números negativos em todos os setores, queda acentuada na renda e desemprego assustador. Algumas empresas sucumbiram, fecharam as portas, e algumas, que tinham gordura acumulada, subsistiram e hoje começam a andar, mas meio cambaleando. O momento de saída de uma recessão é doloroso, pois tudo anda devagar, arrefecendo ânimos e obrigando a viver o dia a dia, sem perspectivas sobre o futuro. As contas são feitas diariamente e decisões de curto prazo passam a habitar a agenda dos que tem o poder da caneta. Alguns esperavam um movimento ascendente da economia no momento que a recessão terminasse, mas isto é impossível. É certo que as decisões e ações realizadas nesta década decretaram os resultados e as da década seguinte poderão corrigir a rota e possibilitar novos alinhamentos. A recessão aconteceu devida uma sucessão de erros na gestão publica que foi proporcionando um efeito em cascata em todos os setores, o efeito dominó. Investimentos foram postergados em favor de protecionismo e clientelismo, dando o peixe ao invés de ensinar a pescar. Sem retorno da produção, a dívida foi crescendo exponencialmente estando hoje totalmente incontrolável. Inexiste possibilidade, de no curto prazo, o setor publico investir na infraestrutura necessária para que o país volte a crescer num ritmo melhor do que o atual. Tenha certeza que as eleições, seja qual for o resultado, trarão ao poder um novo grupo e este será incapaz de proporcionar melhorias significativas na conjuntura econômica. Claro que o crescimento deve continuar, mas de forma muito lenta, bem abaixo do desejável. Este momento de pós-crise é propicio para refazer as contas, enxugar o seu negócio, procurar novos nichos de mercado que possam melhorar a sua receita sem atomizar a despesa. É hora de manter o que já foi conquistado e quem sabe dar um passo a frente, mas com andar comedido. Diferentemente deste quadro pintado, só com mágica!

Ao nosso lado
Muitas vezes os assuntos de desemprego, firmas encerrando atividades e dificuldades econômicas parecem bem distantes. Mas com um olhar mais aguçado da para perceber que por aqui também a coisa anda feia. Na nossa Caçapava, somente nos últimos dias, foram fechados dois estabelecimentos comerciais, supermercados, de grande tradição na nossa comunidade. É bem possível que o momento de dificuldades econômicas, tenha forçado esta decisão. O pessoal vai aguentando até que chega uma hora que a racionalidade bate mais forte, deixando o coração de lado, procurando preservar o negócio e esperar uma melhor hora para voltar a investir. A palavra desinvestimento passou a ser usada corriqueiramente, significando a opção das empresas de se desfazer de patrimônio para ter o almoço e a janta. A gigante Petrobras é uma destas que esta vendendo tudo que pode para fechar o buraco das dividas e respirar mais aliviada. O mercado tem entendido esta postura e se mostrou mais otimista em relação aos papéis da empresa. Olhe bem para o seu lado. Tem a hora de avançar e a hora de se encolher!

Realidade
Catando um numero aqui e outro lá, é possível ver que a economia brasileira esta crescendo, porém o ritmo é de procissão. É verdade que a indústria, após uma hibernação de dois anos, acordou e começa a dar os primeiros passos, porém com uma capacidade ociosa de 40% está mais preocupada a diminuir este numero do que investir.  Destaque para a indústria automobilística que vive um bom momento em função principalmente das exportações. No que se referem ao mercado imobiliário, que é um puxador de emprego e distribuidor de renda, os números são preocupantes tanto pela velocidade das vendas como pelo ritmo de novas construções. A Caixa, principal financiadora do setor, esta em maus lençóis, pois a falta de capital fez com que o juro aumentasse e os financiamentos foram reduzidos, impossibilitando manter o ritmo pré-crise. Em 2014 o crédito para a casa própria alcançou R$ 168 bi, hoje é menos da metade. Ultimamente tem chegado noticias de que o preço dos imóveis esta com queda real. De um lado o preço de oferta, diminuindo a inflação do período. Nos últimos 12 meses o preço real dos imóveis residenciais a venda, pesquisado em 20 das principais cidades do país, segundo a Fipe, acumulou uma queda de 0,70%. Sobram esperanças de que a agricultura continue produzindo excelentes safras o que tem influído positivamente nos resultados econômicos dos últimos anos. Esta é a realidade, basta querer ver!

Pense
Quando os que comandam perdem a vergonha, os que obedecem perdem o respeito.

Indicadores de Confiança                                   
Dados de 13/04/2018

Salário Mínimo
Salário Mínimo Nacional = R$ 954,00 -  R$ 31,80 p/ dia e R$ 4,33 p/ hora.
Salario Mínimo Regional = R$ 1.196,47/ 1.224,01/ 1.251,78/ 1.301,22/ 1.516,26

Construção Civil – março de 2018.
CUB/RS – Sinduscon/RS 
      Residência Unifamiliar (normal) – R$ 1.759,42m2. / variação 12 meses = 3,91 %
      Residência Multifamiliar (normal) – R$  1.451,80m2. / variação 12 meses = 4,41%
Custo Nacional da Construção Civil –  Sinapi – IBGE
      Brasil = R$ 1.154,53 m2  /  variação  12 meses = 3,48 %
      Rio Grande do Sul = R$  1.137,32m2  /  variação 12 meses =  3,50%
Mão de obra – Valores pagos  - Sinduscon
      Pedreiro = R$ 6,93/h
      Servente = R$ 5,60/h

Taxas de Inflação – Índices de Preços – março de 2018
IGP–M (FGV) = 0,64%  / acumulado 12 meses = 0,20%
INCC-M ( FGV)  =  0,23% / acumulado 12 meses = 3,47 %
IPCA IBGE)  = 0,09%  /  acumulado 12 meses  = 2,68%
INPC (IBGE)  = 0,07 %  /  acumulado 12 meses  = 1,56 %
IPC (Fipe) = 0,00 /acumulado 12 meses  =  1,93%

Reajuste de aluguéis (exemplo) – Anual,  corrigido por um índice de inflação escolhido pelas partes, acumulado dos últimos 12 meses. 
Ex: Aluguel R$ 200,00(12º. mês mar.) + 3,47% (INCC) = Novo valor (abr) = R$ 206,94

         
Taxa Selic = 6,50 % a.a.      Taxa de Juro de Longo Prazo (TLP) = 6,75% a.a.


Salvo erros de grafia.

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