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  Opinião - Economia

Harri Gervásio: E agora José?

Por farrapo.rs
11/05/2018 17:58
 

Carlos Drummond escreveu o poema “E Agora José?” num contexto histórico atípico, 1942, em plena Segunda Guerra Mundial. Seus versos diziam do clima de medo e incerteza. Enormes eram as preocupações  politicas e o povo brasileiro estava inseguro, os empregos raros e incertos. E agora José? A inflação baixou, o juro caiu, o emprego escasso, a economia patina, o futuro é incerto. E agora José? Claro que o momento é diferente daquele, mas num ponto é semelhante. Os dias estão obscuros tanto  futuro politico quanto ao desempenho da economia. O governo apostou na inflação baixa e na redução dos juros, esperando que o consumo aumentasse e a máquina começasse a andar. Os resultados estão aí, o consumo acordou e a economia apresenta desempenho positivo, mas lento. Pelo andar da carroça, a redução de juros acaba no curto prazo, pois são claros os sinais de que o frouxamento monetários esta com dias contados.  E agora José? Quais são as armas disponíveis para vitaminar a economia? O governo terá dinheiro para dar subsídios a área produtiva? Aumentar gastos e reduzir impostos? O cenário politico é obscuro, o resultado da eleição é mistério e sem informações do grupo que assumira o poder e o que eles pensam sobre os fundamentos econômicos. O governo esta fragilizado politicamente e as contas publicas a beira do abismo. Como levar o empresariado a acreditar num cenário otimista  e investimentir? E agora José? No inicio do ano as apostas eram um PIB de 3% neste ano, hoje já anda em 2,5% e tem apostas em 2%. A pergunta que continua é: quais os instrumentos que o governo tem para intervir no mercado e auxiliar o crescimento econômico? O governo pretende apoiar as ações econômicas ou ficará restrito a medidas politicas pensando unicamente nos votos? Somente a queda de juros é suficiente  para alterar o cenário de maneira positiva? Nesta hora todos estão se perguntando: E agora Josés?

Andanças
É impossível desligar o faro de repórter que está impregnado em função da atuação de décadas. A busca por informações e opiniões num horizonte mais distante é importante para uma real dimensão da realidade. Muitas vezes o aqui obscurece o mais alí. É bom comparar as noticias que chegam com a pesquisa ao vivo e a cores. De São Paulo chega a noticia de que existem cerca de 1 milhão de metros quadrados vagos em 522 shoppings no país. São mais de 12 mil lojas desocupadas. Se mais nenhum fosse construído, a economia levaria 4 anos para que este espaço vazio seja  preenchido. Isto é fruto da crise que abateu a todos de forma dura e perversa. Nas andanças é possível notar que, lojas fechadas é sim uma realidade. Indagando foi possível saber que muitas das que estão em funcionamento mudaram o mix de oferta. Ao invés de ter de tudo um pouco, as prateleiras foram reservadas para produtos mais populares e de maior procura. As marcas são escolhidas a dedo, com a preferencia pelas mais econômicas. Isto tudo responde a grande mudança nos hábitos de consumo, onde os supérfluos ficaram fora ou no fim da lista. É necessário que a atual conjuntura seja entendida e absorvida, procurando navegar a favor do vento, ou seja, conduza o seu negócio em acordo com os desejos do mercado e também com o olho nas tendências. Quem tiver dificuldade de entender este momento busque ajuda e conhecimento porque tudo pode acontecer num piscar de olho e aquilo que você construiu estará perdido.

De sapo a príncipe
O Fundo Monetario Internacional (FMI) é uma agencia especializada das Nações Unidas, criada em 1944 e o seu propósito é controlar as finanças e a economia internacional de forma a evitar problemas econômicos. São 189 paises membros, onde todos participam com uma cota de depóstio. Quando um dos membros esta mal das pernas ele fornece empréstimos. Agora é o momento da Argentina que, devido a crise financeira interna, com inflação de 25% no ultimo ano, depreciação do peso e juro de 40%, iniciou uma negociação para receber aporte financeiro para regular o mercado. Tem gente a favor e outros contra devido as exigências de austeridade para reduzir o déficit publico, com a consequente diminuição nos investimentos sociais.  Na atual situação, antes que a tudo fique pior, este é o único instrumento viável para acalmar o mercado. O Brasil já conhece este caminho e foi muito criticado por ter ficado refém das regras ditadas por esta instituição. O maior medo é o efeito ORLOFF, “eu sou você amanhã”, que em varias vezes foi citado pelos analistas de mercado. Por certo o Brasil vai saber desviar deste caminho, mas os respingos da crise argentina vai chegar ao país e principalmente o Rio Grande do Sul.  É bom lembrar que em determinado momentos o FMI já foi considerado um inimigo, um sapo, mas em outros foi um príncipe, o apoio seguro na sustentação do equilíbrio financeiro dos países.

Pense
Quem sabe muitas vezes não diz. Quem diz muitas vezes não sabe.

Indicadores de Confiança                                   
Dados de 12/05/2018

Salário Mínimo
Salário Mínimo Nacional = R$ 954,00 -  R$ 31,80 p/ dia e R$ 4,33 p/ hora.
Salario Mínimo Regional = R$ 1.196,47/ 1.224,01/ 1.251,78/ 1.301,22/ 1.516,26

Construção Civil – abril de 2018.
CUB/RS – Sinduscon/RS 
      Residência Unifamiliar (normal) – R$ 1.763,75m2. / variação 12 meses = 4,28 %
      Residência Multifamiliar (normal) – R$  1.456,91. / variação 12 meses = 4,85%
Mão de obra – Valores pagos  - Sinduscon
      Pedreiro = R$ 6,93/h
      Servente = R$ 5,60/h

Taxas de Inflação – Índices de Preços – abril de 2018
IGP–M (FGV) = 0,57%  / acumulado 12 meses = 1,89%
INCC-M ( FGV)  =  0,28% / acumulado 12 meses = 3,84 %

 

Reajuste de aluguéis (exemplo) – Anual,  corrigido por um índice de inflação escolhido pelas partes, acumulado dos últimos 12 meses. 
Ex: Aluguel R$ 200,00(12º. mês abr.) + 3,84% (INCC) = Novo valor (mai) = R$ 207,68

 

         
Taxa Selic = 6,50 % a.a.      Taxa de Juro de Longo Prazo (TLP) = 6,75% a.a.


Salvo erros de grafia.

Por farrapo.rs

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