Economia

Riqueza que vem do solo

Caçapava do Sul produz 85% do calcário no Rio Grande do Sul. Setor emprega 10% da população do município

Por Eduardo Schneider
11/06/2018 15:19
 

Produção de Calcário gera recursos para o município e contribui com a agricultura (Foto: Arquivo/Farrapo)

A mineração é um dos três setores que sustentam a economia de Caçapava do Sul, juntamente com agricultura e pecuária. Para se ter uma ideia, 85% do calcário produzido no Rio Grande do Sul vem do município, que já foi referência na extração de cobre e quem sabe, no futuro, de outros minerais.

A vocação para a mineração representa a entrada de recursos para Prefeitura, entre eles, itens que compõem o retorno de ICMS. Também significa emprego e renda, já que 10% da população trabalha nas indústrias de calcário. Significa que o setor emprega cerca de 4 mil pessoas, de um total de aproximadamente 34 mil habitantes.

Para o presidente da Associação Industrial de Caçapava do Sul – ACIC e do Sindicato do Calcário do Rio Grande do Sul, Roberto Zamberlan, é um cenário que precisa ser valorizado: “A produção de calcário está ligada ao aumento da produtividade na agricultura. Isto porque o calcário agrícola é um corretivo de acidez do solo, além de servir como fertilizante”.

Presidente da ACIC e do Sindicato do Calcário do RS, Roberto Zamberlan. (Foto: Eduardo Schneider/Farrapo)

No entanto, os números da indústria de calcário não acompanham os últimos índices do agronegócio. Para Zamberlan, isto se deve ao aumento das áreas de produção agrícola e falta de procura por calcário, por parte do agricultor:

“Revela que os pequenos agricultores não estão utilizando este insumo que é a primeira providencia. Os principais motivos são a desinformação ou medo de investir no novo”.

Atualmente o calcário é considerado o insumo mais barato da agricultura brasileira. É comercializado, em média, a R$ 55 por tonelada, um preço considerado defasado. “Quando houver valorização do produto, certamente ele será mais reconhecido e o preço equiparado ao seu real valor. Hoje o preço não condiz com o valor que tem”, avalia Zamberlan.

Outro fator que deveria impulsionar o uso do insumo é o alto índice de acidez do solo gaúcho. Pesquisas indicam que 90% do solo no Rio Grande do Sul é ácido. “Se fosse investir na quantidade adequada, só nas áreas agricultadas, o Estado precisaria de 6 milhões de toneladas de calcário ao ano. No entanto, vem consumindo 3 toneladas, há mais de quatro anos. Este dado revela que o crescimento deste setor está estacionado”, analisa o presidente do Sindicato do Calcário.


Mudança de rumo

Para Roberto Zamberlan, a mudança no rumo do setor do calcário depende diretamente do agricultor, que precisa entender sobre a importância do insumo para a lavoura: “Da forma como o calcário é consumido no Estado, temos jazidas em Caçapava para muito mais de 100 anos. Significa que a agricultura terá este produto por muito tempo ainda”.

Outro ponto favorável é a localização do município, que fica na região da campanha, próximo à região central do Rio Grande do Sul. Isto facilita o transporte do produto para diversas regiões.

Outra possibilidade é a extração de outros minérios. Após a extração de cobre, a população vive a expectativa de aprovação do Projeto Caçapava do Sul, junto a Fundação Estadual de Proteção Ambiental - Fepam. O projeto prevê a extração de zinco, chumbo e cobre no distrito de Minas do Camaquã.

“Temos vocação para a mineração. Somos abençoados pela natureza que nos proporciona uma expressiva concentração de minerais. Precisamos acordar, perceber e usufruir deste potencial mineral”, afirma Zamberlan, que argumenta sobre os benefícios do setor para a sociedade: “Lamento que pessoas desinformadas são contra um projeto de mineração. Este projeto (Caçapava do Sul) é uma benção para a nossa comunidade, pois é para longo prazo e se traduz em empregos, geração de renda e receitas para o município, já que os minerais retirados do solo são processados e exportados, significando a entrada de dinheiro na economia local”.

Sobre poluição do meio ambiente, o presidente do Sindicato do Calcário diz que as empresas são obrigadas a cumprir as determinações da Fepam, caso contrário, fecham as portas: “Nenhuma empresa séria polui. A Fepam é extremamente rígida no aspecto de fiscalização. Na nossa região existe monitoramento das águas que circulam as jazidas. Quanto à extração de minério, a cada árvore que retiramos, plantamos de três a cinco novas mudas em outras áreas. Isso as pessoas não sabem! Nós reflorestamos de três a cinco vezes mais a área que exploramos. Se impactamos um hectare de mata nativa, reflorestamos de três a cinco matas nativas. Ou seja, estamos recuperando o meio ambiente em maior escala do que exploramos”.

Para Zamberlan, sem a mineração não existiria uma série de produtos essenciais nos dias de hoje: “A casa em que vivemos foi erguida graças à mineração. Enfim, existe uma infinidade de produtos que dependem da mineração, por isso é preciso que haja mais conscientização das pessoas sobre este importante setor para a economia e para a sociedade”.

 


Por Eduardo Schneider

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