Copa

Psicólogo, filho de caçapavanos, fala da seleção para Rede Globo

15/07/2014 16:55
 

Maurício Pinto Marques (Foto: Reprodução)

Filho de caçapavanos, o consultor particular de atletas e psicólogo da categoria juvenil do EC Aimoré, Maurício Pinto Marques, que tem se destacado em programas de TV como o Fantástico e Esporte Espetacular, da Rede Globo, ao falar do comportamento da seleção brasileira durante os jogos da Copa do Mundo, falou com a Gazeta, logo após a derrota do Brasil para a seleção da Alemanha.

Formado em psicologia pela UFRGS e mestre e doutorando em psicologia do esporte pela universitat Autònoma de Barcelona (UAB), Maurício comentou a pressão que os jogadores sentem durante os jogos, o comportamento da torcida, a saída do Neymar, e das demais seleções perante a seleção brasileira e como nossos jogadores devem agir após a derrota histórica que sofremos nas semifinais da Copa.

Gazeta: Qual a maior pressão que sofre um jogador de futebol da seleção brasileira neste mundial?
Maurício: Certamente é o fator local, aliado à inexperiência do grupo em mundiais(somente 6 atletas já jogaram um Mundial). Esta Copa no Brasil é única por ser posterior ao trauma do Maracanazo. Os jogadores não podem assumir o peso histórico dessa Copa, muito menos a obrigação de vencê-la. Devem sim lutar até a última bola e esforçarem-se ao máximo, isso eles podem controlar. Ninguém pode pedir a vitória, pois ela só vem para um time em cada partida, e para uma seleção, das 32 que disputam esse mundial.

Gazeta: Psicologicamente, um jogador se sente mais entusiasmado ou oprimido por jogar em casa?
Maurício:
O sentimento parece ser duplo. O apoio da torcida (com exceção às vaias ao Fred) nos jogos, a emoção no hino, a vaia aos adversários parecem ajudar.

Contudo, a expectativa da vitória, a presença de parentes e estar jogando em seu país (a grande maioria deixou o Brasil há alguns anos, e/ou jovem), podem trazer um fato novo, mesmo para jogadores acostumados a serem protagonistas e que jogam nos grandes times europeus.

Gazeta: Ter a torcida a favor aumenta a pressão ou diminui?
Maurício:
Como dito anteriormente é uma série de fatores, mas tudo depende como o jogador "filtra " todos esses estímulos e variáveis, o que depende da história pessoal, do apoio de parentes, comissão técnica e do próprio grupo de jogadores. Caso houvesse uma preparação psicológica preventiva, um treinamento, desde a Copa das Confederações, por exemplo, com um levantamento de perfil e um acompanhamento durante os últimos 12 meses, teríamos a chance de poder tentar auxiliar cada atleta a render o máximo possível dentro desse contexto.

Gazeta: Para as demais seleções, a pressão de enfrentar outros times, até mesmo o Brasil, é maior ou menor, já que eles não estão em casa?
Maurício:
Para outros times a pressão deve ser menor comparada à Seleção, pois o fator local, e até de continente, historicamente fizeram a diferença em Copas. Somente o Brasil e a Espanha ganharam fora do seu continente, E a Espanha em um lugar "neutro " se pensarmos que o continente Africano não tem peso em termos de títulos.

Porém quando enfrentam o Brasil eles também respeitam muito por sermos a sede da copa e a tradição da canarinho, principalmente os sul-americanos, que me parecem ter mais respeito que os europeus. Mas não existe fórmula, tudo depende da preparação de cada equipe para a partida, de uma série de fatores. Algumas, inclusive, podem jogar mais soltas por estarem contra os favoritos.

Gazeta: Após a derrota histórica de 7 a 1 para a Alemanha, como o time do Brasil e a torcida brasileira devem agir daqui para a frente e tentar, ao menos, a terceira colocação?
Maurício:
Díficil falar, o Brasil sofreu uma derrota histórica e incrível. Além do tático, e técnico dessa vez....Certamente faltou uma preparação psicológica. O time sempre esteve junto, porém, trabalhar com situações de adversidades e grande pressão como foi o jogo contra o Chile e a semifinal contra a Alemanha, com o agravante da falta do Neymar e o capitão Thiago Silva é essencial. A volta por cima no próximo Mundial poderá se dar caso haja um planejamento e preparação desde agora, e a questão (e pressão) psicológica estará mais presente do que nunca. A pergunta é o que a CBF fará com isso?

Gazeta: Você acredita que a ausência do capitão e o afastamento do Neymar contribuíram para o futebol apático que a seleção demonstrou?
Maurício:
Em geral atrapalha porque o Neymar é o craque e uma liderança anímica, porém ela permite o protagonismo de outros jogadores, e inclusive a seleção já havia sido "perdoada ", pré-jogo, caso perdesse por enfrentar a temida e respeitada Alemanha sem ele e o capitão.

Gazeta: Como a torcida pode contribuir emocionalemnte para o próximo jogo?
Maurício:
Apoio incondicional tanto da torcida como da comissão técnica, mostrar que estarão juntos em qualquer resultado, que já são campeões e que lutem até o fim, independente de qual colocação ficará.

VÍDEO
Pressão de jogar em casa afeta lado emocional dos jogadores da Seleção (AQUI)


Fonte: Gazeta de Caçapava

Gazeta de Caçapava