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  Opinião - Economia

Harri Gervásio: Edição 1.000

Por farrapo.rs
04/09/2018 16:39
 
 

Harri Gervásio Economista

O Caçapavano, Harri Goulart Gervásio é um profissional liberal, formado em Economia pela Universidade Federal de Santa Maria, Pós-Graduado em Administração de Empresas pela UFRGS e Pós-Graduado em Gestão Empresarial pela URCAMP. Técnico em Transações Imobiliárias pelo Senac.

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O nosso jornal Gazeta de Caçapava esta completando 19 anos tendo sido impresso mil edições. Sem duvida nenhuma é um marco significativo para um jornal do interior onde as dificuldades são um pouco maiores.  Com o crescimento da internet muitos desapareceram ou se transformaram. Os comentários diziam que a noticia impressa estava fadada a desaparecer assim como os livros. Quando surgiu a televisão sepultaram o radio, mas este sobreviveu. Sem duvida nenhuma as mídias eletrônicas cresceram assustadoramente, mas a velha radio e o velho jornal impresso ainda resistem. A sensação do manuseio do papel, folheando, lendo e relendo, guardando e marcando o importante alimenta a sobrevivência. No lado de quem participa de um veiculo de comunicação é extremamente gratificante receber o retorno daquilo que se diz ou se escreve. Desde muito cedo tive o privilégio de participar pela voz e pela escrita de vários veículos da mídia. Hoje na Gazeta já se passaram 13 anos com 553 colunas. Tenho clareza da responsabilidade de escrever para este veiculo de enorme representatividade na comunidade. Agradeço o espaço que me é oferecido e parabenizo a direção e colegas pela brilhante trajetória. Vamos buscar as 2.000!

1.999 um ano quente
Quando a Gazeta nascia o Brasil passava por um período muito conturbado. Era o segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso, e a crise do real esta instalada. Inflação elevada e desvalorização cambial acentuada fizeram com que o governo realizasse uma desvalorização da moeda. O Plano Real adotado em 1994, e que veio para salvar a economia brasileira começava a fazer agua e exigia alterações de rumos. Abertura exagerada da economia, desindustrialização, crescimento do déficit comercial, aumento da divida externa, divida publica crescente, baixo crescimento da economia, tudo isso provocou um cenário de agitação social e politica. O Brasil sentia também os reflexos da crise asiática e russa.  A inflação passou de 2% para 20%. O regime de cambio fixo foi alterado para flutuante. O ano de 1.999 iniciou explosivo tendo três presidentes do Banco Central em 20 dias. Foi neste quadro de agitação politica e crise econômica que a primeira edição da nossa Gazeta veio pra luta. Para os veículos de comunicação quanto mais quente melhor, pois as noticias fervilham e os leitores correm atrás de novidades. Salve a edição mil!!!

Assustando
Na semana passada um dos assuntos foi à inadimplência do brasileiro, que é crescente e insiste em permanecer elevada. Dizem que 64 milhões de brasileiros estão endividados. Nesta semana circulou números daqueles que estão devendo financiamento da casa própria. Pasmem, desde o inicio de 2014, a cinco maiores instituições bancárias nacionais, retomaram cerca de R$ 12 bilhões de imóveis inadimplentes. Este valor corresponderia a 70 mil casas ou apartamentos. Em apenas 6 meses deste ano foram retomados mais de 9.000 imóveis. Estes significam um grande peso para as instituições financeiras que tentarão se livrar de qualquer jeito. As informações são de que mesmo sendo colocados a venda com redução no preço de 80%, as dificuldades são grandes em achar pretendentes. O momento atual é de apreensão e desconfiança com os cenários futuros e aí ninguém fica disposto a comprometer ou arriscar a sua renda. Alguns comentaristas afirmam que esta fase difícil tende a perdurar por um bom tempo, ou seja, o curto prazo esta comprometido e o médio depende das ações do novo grupo que vai assumir o poder.  O jeito é continuar roendo o osso disponível!

Lendo daqui e dali!
Pois é, nas andanças da leitura surge um analista que insinua que o Brasil convive com uma depressão econômica. Para bem entender, depressão econômica é a fase que vem logo após a recessão econômica, onde empresas estão endividadas, algumas entrando em falência; a taxa de desemprego alta e crescente e o nível de produção e investimentos são baixos. É um período difícil e prolongado. Dando uma olhada nos números atuais do Brasil é possível ver alguma semelhança com o descrito. Com os números do PIB de 2017, somados a igualdade em 2018 e  sem referencias para 2019 é possível concordar que o Brasil vive um momento de depressão econômica. Se vai continuar depende em muito das ações do governo futuro e aí ninguém sabe. Os empresários terão confiança para investir? Números econômicos ruins e cenários indefinidos sugerem depressão. Tomara que surja alguém capaz de alterar este quadro!

Pense

Não confunda conhecimento com sabedoria. Um ajuda a ganhar a vida; o outro a construir uma vida.

Indicadores de Confiança  
                                 
Dados de 31/08/2018

Salário Mínimo
Salário Mínimo Nacional = R$ 954,00 -  R$ 31,80 p/ dia e R$ 4,33 p/ hora.
Salario Mínimo Regional = R$ 1.196,47/ 1.224,01/ 1.251,78/ 1.301,22/ 1.516,26

Construção Civil – julho de 2018.
CUB/RS – Sinduscon/RS 
Residência Unifamiliar (normal) – R$ 1.808,34 m2. / variação 12 meses = 4,50 %
Residência Multifamiliar (normal) – R$  1.495,62 m2. / variação 12 meses = 5,33%
Custo Nacional da Construção Civil –  Sinapi – IBGE
Brasil = R$ 1.176,83m2  /  variação  12 meses = 3,94%
Rio Grande do Sul = R$ 1.168,34 m2  /  variação 12 meses = 3,96 %
Mão de obra – Valores pagos  - Sinduscon
Pedreiro = R$ 7,16/h
Servente = R$ 5,91/h

Taxas de Inflação – Índices de Preços – julho de 2018
IGP–M (FGV) = 0,51%     /  acumulado 12 meses = 8,24%
INCC-M ( FGV)  =  0,72% / acumulado 12 meses = 3,93 %
IPCA (IBGE)  =  0,33%  /  acumulado 12 meses  =  4,48%
INPC (IBGE)  =  0,25%  /  acumulado 12 meses  =  3,61%

Reajuste de aluguéis (exemplo) – Anual,  corrigido por um índice de inflação escolhido pelas partes, acumulado dos últimos 12 meses. 
Ex: Aluguel R$ 200,00(12º. mês jul.) + 8,24% (IGPM) = Novo valor (ago) = R$ 216,48

         
Taxa Selic = 6,50 % a.a.      Taxa de Juro de Longo Prazo (TLP) = 6,56% a.a.

Salvo erros de grafia.

Por farrapo.rs

Farrapo