Educação

Professor: fazer o que se gosta com amor e respeito, é sentir-se vivo

Por Tisa de Oliveira - Imprensa Coeducar
22/10/2019 13:53
 

Foto: Divulgação

A mãe e a tia eram professoras e, aos sete anos, ela ajudava outras crianças a ler e escrever, pois já estava alfabetizada. Este relato é o início da história de vida e profissional da professora Marize Ferreira. Educadora, já alfabetizou centenas de caçapavanos, inclusive pode ter ensinado você - que está lendo essa matéria agora - a ler e escrever.

Ela estudou no Santíssimo Nome de Jesus, o Colégio das Freiras, como é conhecido. Fez os anos finais do Ensino Fundamental, o Ginásio - como era chamado na época - e o curso de Comércio. Mais tarde, cursou o Normal Rural, em Pelotas. Viajava nas férias, para o Sul do Estado e permanecia lá durante o verão. “Hospedava-me em hotel e tinha aulas nos três turnos: manhã, tarde e noite. Durante quatro anos, essa foi minha rotina nas férias. Tudo muito intenso”, relembra a professora.

Este curso possibilitou iniciar a carreira no Magistério: primeiro, no interior; depois fez adaptação de disciplinas na escola Normal, no Colégio das Freiras, para poder lecionar na cidade. Trabalhou na escola Cônego Ortiz, no Santíssimo Nome de Jesus, Urcamp e Coeducar, onde, ainda, dá aulas para o primeiro ano dos Anos Iniciais. Aliás, alfabetizar os pequenos é uma missão que vem sendo cumprida há anos. “Com frequência, sou abordada nas lojas e as pessoas falam: você foi minha professora. Costumo dizer: você tem cabelos brancos? Se tem, então não fui sua professora”, brinca Marize.

Comparando como era a educação quando começou a dar aulas com a atualidade, a professora avalia que, no início da carreira, havia mais disciplina e rigidez em relação aos valores. Já, sobre o ensino, Marize afirma que o professor é um eterno aluno, não pode parar de estudar. “É um estudo contínuo na vida da gente. Estamos sempre estudando e buscando novas alternativas. A cada ano são novos desafios. As turmas têm suas particularidades, precisamos conhecê-las e considerar isso na hora de elaborar o plano de aula. Cada criança tem seu jeito de aprender: umas são mais rápidas, enquanto outras precisam de mais atividades”, analisa.

A professora Marize acumula histórias da vida profissional e recorda delas com carinho. “Uma vez, uma aluna chegou na sala e me deu um presente, um anel muito bonito. Como ficou grande no dedo, decidi guardar. Em casa, coloquei na penteadeira até decidir o que fazer. Para minha surpresa, dois dias depois, a mãe da criança me procurou. Perguntou se a menina não tinha trazido para a escola um anel. Descobrimos então que não se tratava de um presente. Era uma joia e a mãe recém tinha pago a primeira parcela. Até hoje, quando nos encontramos, relembramos dessa história. A inocência das crianças sempre nos encanta”, alegra-se a professora.

Depois de anos atuando, sempre como alfabetizadora, Marize confessa que estar na ativa representa se sentir viva. “Chego ao final do dia leve. Saio da escola como entrei, com disposição, porque a gente faz o que gosta com amor e respeito. Conforta-me, quando me dou conta de que o tempo passou e vejo meus ex-alunos formados, conquistando o mundo. Isso nos deixa felizes. A vitória deles é a nossa vitória. Ficamos felizes por eles, como ficamos pelas conquistas de nossos filhos. A gratificação de viver é isso!”


Por Tisa de Oliveira - Imprensa Coeducar

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