COLUNAS - COMPORTAMENTO


Positividade tóxica
22/06/2022 00:00:00

Imaginem-se, caros leitores, analisando um copo contendo água exatamente pela metade, certo? Ele está meio cheio ou está meio vazio? Qual das respostas está certa? Nenhuma está errada e nenhuma correta, pois tudo depende da percepção de cada um e esta influenciada pelo “estado de espírito”, de acordo como o momento, com as emoções e sentimentos que prevalecem naquele dia. E não há nada de contramão nisso! Não é sintoma de transtorno psicológico não enxergar, sempre, o lado positivo das coisas! Está tudo bem em não ver, todas as vezes, o copo meio cheio!
Porém, não é bem isto que as pessoas estão entendendo e praticando. Há uma negativa a “marés baixas”, em que (parece) que não há mais permissão para demonstrar e expressar sentimentos de dor, tristeza, medo. Em contrapartida, de verdade verdadeira e por trás das redes, há um número gigantesco de pessoas adoecidas. Contraditório, não? 
Ao mesmo tempo que há uma tentativa desmedida e quase insana de tentar convencer as pessoas que a vida é perfeita e a felicidade impera em todos os momentos, há, também, uma caixinha de sentimentos transbordando dentro de si. A vida é bela sim e muito, mas há problemas e todos os têm. Todos, volta e meia, precisam dar conta de pedrinhas que dificultam o caminho. Nem todos os planos são alcançados da forma imaginada e isto gera frustração. O trabalho, o casamento, a relação com os filhos por mais gratificantes que sejam, nem sempre são “um mar de rosas”. E encarar as coisas como de fato são, com altos e baixos, com amor e dor é imprescindível para que o sujeito não viva sufocado pelos próprios sentimentos não percebidos, não falados e não vividos. 
A positividade tóxica é uma obsessão por querer ver e demonstrar, apenas, o lado bom das situações. Hoje fala-se muito em gratidão, o que acaba dando a entender que quem é grato não pode queixar-se, sentir-se exausto ou triste perante alguns acontecimentos da vida. Ser grato não exime o direito (e o dever) de encarar o que fere, o que magoa, o que amedronta, o que entristece, de não gozar sempre de altos índices de motivação e entusiasmo. Não é aconselhável pensar positivo em todas as situações, principalmente diante das que suscitam algum tipo de desconforto, pois esta forma tóxica de tentar encarar os fatos impede a pessoa de simplesmente sentir, acolher-se, expressar-se, cuidar-se e ser cuidada. 
Como tudo na vida exige equilíbrio, aqui também estamos falando de mais um exemplo. Pense grande, pense alto, pense positivo, mas valide as suas emoções e não menospreze o que está perpassando e não se negligencie. É mais ou menos assim: Depois da tempestade, sempre vem o sol. Vivamos e sintamos a chuva, o quão arrebatadora pode ser. E logo, esperemos pelo sol com toda a convicção e certeza que, mais cedo ou mais tarde, ele sempre volta a brilhar! 

 


Luciele Monteiro Osório - Psicóloga

- Especialista em Transtornos da Infância e a da Adolescência na Clínica Interdisciplinar
- Especialista em Psicologia Jurídica - Ênfase(s) em Família (s)
- Especializanda em Neuropsicologia

Formada em 2008 pela Unifra, desde então atua nas áreas da Psicologia Clínica e Organizacional. Além disso é mãe da Laís, sua melhor experiência prática do desenvolvimento infantil, esposa, filha, irmã, tia, do lar... Enfim, assume multi papéis, o que é típico da mulher da atualidade.

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