COLUNAS - ECONOMIA


Os desafios da China e os impactos no Brasil
21/02/2024 00:00:00

Nas últimas duas décadas, a China experimentou um crescimento acelerado. O Produto Interno Bruto (PIB) do país mais do que quadruplicou desde 2004, em um período de intensa urbanização e de modernização da economia chinesa. Este crescimento, para ficarmos num exemplo, impulsionou a produção de soja no Brasil, fazendo da China nosso maior parceiro comercial.  Soja é proteína, usada na alimentação do frango, este alimentado com farelo e fritado com óleo para consumo nas inúmeras fábricas chinesas.  Em 2023, a economia chinesa avançou 5,2% e atingiu a meta estabelecida pelo governo local. O Partido Comunista da China decide, em uma reunião organizada todos os anos no mês de março, qual deve ser o crescimento do país. Mas essa meta tem ficado cada vez menor. O fato é que a China já não é capaz de crescer como antes. Embora o avanço de 5,2% do PIB em 2023 seja notável, ele não se compara com o progresso que o país viveu nas últimas duas décadas, quando a taxa de crescimento chegou a superar os 10% ao ano. Boa parte do estímulo para a economia chinesa vinha do setor imobiliário, que chegou a representar 25% do PIB local. Diante da migração em massa de chineses do campo para a cidade, o governo estimulou a construção de residências e a ampliação de infraestrutura nos grandes centros urbanos. Com o tempo, as construtoras chinesas contraíram dívidas enormes e a especulação imobiliária fez os preços de imóveis dispararem. O aparecimento de “cidades fantasmas” (com centenas de prédios novos e desocupados) evidenciou o esgotamento desse modelo de crescimento. A chegada da pandemia de covid-19 só agravou o problema. Em 2020, o governo chinês restringiu o crédito concedido para o setor. Sem o estímulo governamental e altamente endividadas, muitas empresas imobiliárias ficaram em situação financeira delicada.  No paralelo, o esgotamento do setor imobiliário criou um problema para os governos regionais. Boa parte dos recursos que alimentavam o orçamento das províncias vinha da venda de terrenos para as construtoras. A queda no lançamento de novos empreendimentos secou essa fonte de recursos e os governos regionais ficaram também endividados, o que limita a capacidade de novos estímulos. Esse é o quadro que sintetiza como a China partiu de um crescimento de dois dígitos para o momento atual, de avanço bem mais modesto e com perspectiva de ficar ainda menor.  Nos últimos anos, a piora nas relações diplomáticas entre China e Estados Unidos resultou em medidas como a restrição, pelo governo americano, da venda de semicondutores para empresas chinesas. No ano passado, os EUA também limitaram investimentos em empresas de inteligência artificial da China. As restrições impostas pelo Partido Comunista da China para os setores financeiro e de tecnologia são outro entrave. Empresas chinesas que administram dados de mais de 1 milhão de cidadãos locais precisam de aval do governo para abrir capital no exterior, por exemplo. Isso reduz a capacidade de financiamento e de expansão dos negócios. Tudo indica que, para estimular o crescimento, o governo chinês continuará recorrendo a medidas pontuais, como a concessão de alívio para as construtoras e o incentivo para alguns setores (como a indústria de carros elétricos). Se esse for o caso, o caminho da China continuará a ser o de um crescimento cada vez menor e um crescimento Chinês menor, tem como consequência uma demanda menor por proteína (soja principalmente), que acaba por refletir no cenário brasileiro.


Mateus Sangoi Frozza - Economista

Economista e Professor da Universitário.

Foi Coordenador dos cursos de Ciências Econômicas e Administração da Universidade Franciscana (UFN).

Secretário de Finanças no Município de Santa Maria (2019/2021).

CEO da Tride3 Consultoria e Treinamentos

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