COLUNAS - TECNOLOGIA


Tecnologia sustentável: atitudes “preserva-galho”
02/05/2022 00:00:00

Para quem está atento às notícias mundiais, já está mais do que evidente que as questões ambientais tomarão cada vez mais espaço nas manchetes. E isto não é por acaso. Nosso planeta grita por décadas que precisamos sim tomar uma atitude, ou várias.  Muitas vezes são tão simples e pequenas que chegam a ser óbvias.

Dentre diversas causas e origens dos problemas que já nos afetam de forma direta e com maiores consequências, uma delas é o descarte crescente de dispositivos eletrônicos, especificamente notebooks e smartphones. Então, quando nos deparamos com um cenário exponencial de descartes, onde o ciclo de vida de um dispositivo está deliberadamente ficando menor (leia-se obsolência programada), isto toca um alarme gritante em nossos ouvidos que algo não está indo bem. 

Quantos eletrodomésticos, eletroeletrônicos dos anos 90 e início dos anos 2000 você ainda possui? Eu mesmo possuo alguns em pleno funcionamento que datam do final dos anos 80!  

É assustador termos que lidar com o fato de algo que está ainda funcional precisar ser descartado por simplesmente não suportar as demandas e modismos que oportunamente o mercado de consumo diz que precisamos.  

Segundo projeções da Deloitte Global (em inglês), em 2022 teremos cerca de 4.5 bilhões de smartphones em funcionamento em todo mundo, gerando proporcionalmente 146 milhões de toneladas de CO² na atmosfera. Segundo o estudo, cerca de 83% deste montante provém do processo de produção, envio e potenciais 1.4 bilhões de novos dispositivos em seu primeiro ano de uso.

Estamos falando apenas dos impactos referentes à produção do aparelho que você possivelmente está segurando agora. Existe ainda a outra ponta:  os descartes quando um aparelho não possui mais real serventia. Colocamos na balança todo custo ambiental de armazenamento, desmonte e dessolda de chips e reaproveitamento de metais, como ouro, prata, chumbo, cobre, alumínio, entre outros.

Para colaborarmos com o meio-ambiente, podemos tomar atitudes simples que no nosso cotidiano semiautomático passam despercebidas.  Começando com a seguinte e honesta pergunta: “Eu realmente preciso trocar o que tenho, ou posso ficar mais  um tempo se fizer uma boa limpeza ou manutenção?”

Para te ajudar a responder a esta pergunta, faremos uma alusão ao mercado automotivo: se você possui um determinado veículo que tem já algum bom tempo de uso, mas não dá manutenção e consome pouco, é realmente necessário trocá-lo por um outro mais novo apenas pela estética ou status? Talvez um simples polimento externo e uma higienização no estofamento trará outro brilho ao seu bólido. Na tecnologia este questionamento é semelhante.

Se o seu perfil de uso é mais para navegar de forma controlada em redes sociais, ler e-mails e eventualmente tirar uma foto ou outra,  não é necessário ter um celular com quatro, cinco câmeras com 20 megapixels e 256GB de armazenamento. Tudo isso custa.

Quanto maior a capacidade de captação,  mais armazenamento proporcional consome, sem contar que este espaço é compartilhado com a quantidade de aplicativos instalados e cada um deles reserva uma fatia para guardar arquivos temporários, informações de último uso ou de mecanismos de inteligência artificial.  Sim!  Para algumas empresas, em especial redes sociais, além de você ser a real mercadoria, ainda doa passivamente boa parte do espaço do seu dispositivo para eles usarem como armazenamento extra. Aí não tem milagre mesmo.

Para que seu equipamento dure mais tempo,  adote uma rotina de descarregamento de fotos, vídeos, limpeza de mensagens desnecessárias em WhatsApp, Telegram, Instagram e similares.  

Aquela mensagem de “bom dia, boa tarde e boa noite” da titia ou o vídeo engraçado da turma do futebol de quarta-feira pode ser legal uma vez ou outra, mas todos os dias vai dar um “adeus” para o espaço remanescente do seu dispositivo.

No caso de notebooks, é muito importante no momento da compra saber se a arquitetura suporta atualizações de memória e disco rígido.  O grande gargalo ainda é em relação à memória RAM, pois alguns fabricantes já estão as soldando na placa-mãe por questões de custo e pode ser um fator limitante a médio prazo e você ter que descartar absolutamente tudo por isso.

Prefira modelos onde é possível atualizar estes dois principais componentes. No caso do disco rígido, também chamado de HD,   verifique o tipo de conexão e o espaço físico disponível dentro do equipamento para adição de unidades extras.  Os ultrabooks por exemplo não contam mais com drives de DVD ou Blu-ray, porém podem suportar mais de um HD, seja ele SSD, NVMe ou um padrão que vem ganhando certa projeção: HDs CSD.  Consulte um técnico de confiança para que você saiba com detalhes toda esta sopa de letrinhas e aproveite pra dar uma boa faxina lógica em seu dispositivo.

Todas estas ações combinadas com o auxílio de serviços de armazenamento na nuvem, backup em HDs externos, pen drives e uma rotina periódica de averiguação de consumo de dados colaborarão com sua participação consciente e ambientalmente responsável para que nosso planeta continue provendo cenários e momentos inesquecíveis para serem eternizados.


Fabiano Ferreira - Analista de Sistemas

Formado em 2002 como Analista de Sistemas com ênfase em Mídias Digitais pela Universidade Anhembi-Morumbi de São Paulo, SP
Atuou em agências digitais e de tecnologia em São Paulo, Porto Alegre, Caxias do Sul e Santa Maria.
Adquiriu em 2015 o sêlo de Empreteco pelo SEBRAE - RS, programa orientado ao amadurecimento de características empreendedoras e permanência sustentável no mercado.
Sócio-Fundador da CRIAPOLIS Inteligência Criativa de Santa Maria, RS. Criada em 2012, atua como gestor e líder de desenvolvimento.

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