CAÇAPAVA DO SUL
Plenário do Legislativo é sede para Audiência Pública sobre IPE Saúde
23/06/2022 15:58:21

Nesta quarta-feira 22, na Câmara de Vereadores de Caçapava do Sul, ocorreu uma Audiência Pública discutindo a situação do serviço prestado pelo IPE. Presidiram a mesa de reunião o presidente da Assembleia Legislativa do Estado, Valdeci Oliveira (PT), o presidente do Legislativo Luiz Fernando Torres (Boca-PT), o Prefeito Giovani Amestoy (PDT) e o presidente do Hospital de Caridade Dr. Victor Lang, Florenço Monego.
“Este evento integra nosso esforço para descentralizar as atividades, encurtar a distância entre os gaúchos e o Poder Legislativo e ouvir a população sobre um tema que afeta a todos”, declarou o deputado Oliveira.
Na ocasião também estavam presentes os vereadores de Caçapava do Sul, o Sr. Sergio Machado representando o Sindicato Municipal dos Aposentados, a professora Dolores Stell representando o Sindicato dos Professores de Caçapava, o Tenente Cel. Cleiton Renan Sedres do Comando Geral da Brigada Militar do RS, o Secretário de Município de Educação Sr. Aristides Costa, a Sra. Rosane Costa representando Ação da Mulher Trabalhista de Lavras do Sul, e membros da comunidade.
Foram discutidos tópicos como a crise desencadeada junto a hospitais e usuários do IPE Saúde no Estado que acabam refletindo negativamente no atendimento dos mais de um milhão de usuários. Também foram abordados atrasos no pagamento aos prestadores de serviço e, por fim, a dívida atual do IPE Saúde, que está na ordem de R$ 1,1 bilhão, o que ameaça cessar os atendimentos atuais.
As dificuldades enfrentadas pelo maior plano de saúde do Rio Grande do Sul, com quase um milhão de segurados, vieram à tona em abril quando um grupo de hospitais anunciou a intenção de se descredenciar. Os dirigentes destas instituições alegam que o reajuste do valor dos serviços prestados não compensa as perdas que vêm sofrendo e que o aporte de recursos oferecido pelo governo cobre pouco mais de 10% do total da dívida acumulada pelo estado com estes estabelecimentos.
Na abertura do encontro, Valdeci admitiu que a situação é preocupante, mas revelou que algumas “medidas importantes” para debelar a crise vêm sendo tomadas pelo atual presidente da autarquia, Bruno Jatene. Na opinião do parlamentar, o aumento da demanda e dos insumos hospitalares durante a pandemia, associado ao congelamento por oito anos dos vencimentos dos servidores aos quais as contribuições estão vinculadas, são as principais causas do desequilíbrio financeiro da autarquia. Além disso, a inexistência de uma política de estado e as trocas frequentes de diretores fragilizam a gestão do instituto que, na visão do petista, deve ser profissional e ter continuidade.
“O problema não é a falta de recursos. Acredito que o IPE arrecada o suficiente para garantir um atendimento de qualidade aos seus usuários, mas a falta de uma política de estado e de regras mais claras na relação com os conveniados são fatores negativos. O que precisamos fazer neste momento é fortalecer o IPE e não aceitar retrocessos”, apontou.

O presidente da Câmara de Vereadores, Luiz Fernando Torres (PT), que também é servidor público estadual, afirmou que é “preciso separar o que é real do que é fake para construir uma solução conjunta”. “Há rumores de que o instituto poderá ser privatizado. Isso é verdade? Precisamos saber se há intenção do governo para isso. Dizem também que o valor das contribuições vai aumentar. Também precisamos saber”, ressaltou.
Torres relatou que a mensalidade do PAMES subiu 12% neste mês, enquanto os salários dos servidores tiveram um acréscimo de apenas 6,5%, e que o escritório regional do IPE no município foi fechado, obrigando os segurados a irem a Porto Alegre. Mesmo assim, revelou, está em discussão entre os servidores municipais a migração de plano de saúde, da Unimed para o IPE. “Essas questões precisam ser esclarecidas para que se possa tomar uma decisão”, defendeu.
O diretor do Hospital de Caçapava do Sul, Florenço Monego, afirmou que só em junho o estabelecimento começou a receber do IPE pelos procedimentos realizados em janeiro e, mesmo assim, com valores defasados. “Torna-se muito difícil trabalhar num quadro assim, em que não sabemos quando e quanto vamos receber”, criticou.

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