RIO GRANDE DO SUL
Começa o El Niño que traz a ameaça de grandes enchentes
10/06/2026 09:52:30

A MetSul Meteorologia considera que o fenômeno El Niño já está instalado no Oceano Pacífico Equatorial e que este episódio de 2026-2027 tem potencial para se tornar um dos mais intensos dos tempos modernos, rivalizando com eventos históricos como os de 1982-1983 e 1997-1998.

Embora a Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera dos Estados Unidos (NOAA) ainda não tenha feito a declaração oficial, a análise dos dados oceânicos e atmosféricos indica que os critérios para caracterizar o fenômeno estão preenchidos. A expectativa é de que a agência norte-americana reconheça formalmente o início do evento nos próximos dias.

O El Niño é um fenômeno oceânico-atmosférico. Para sua caracterização, não basta apenas que as águas do Pacífico estejam mais quentes do que o normal. É necessário também que a atmosfera responda ao aquecimento, estabelecendo um processo conhecido como acoplamento oceano-atmosfera. Segundo a A análise da MetSul Meteorologia, tal processo já está em andamento.

Temperaturas do oceano
Nas últimas semanas, o aquecimento das águas se intensificou significativamente. Grandes volumes de água excepcionalmente quente que estavam no Pacífico Oeste avançaram em direção à América do Sul e passaram a emergir na superfície, elevando rapidamente as temperaturas do oceano.
Os dados mais recentes mostram que a região que é a principal referência para monitoramento do fenômeno, já atingiu valores compatíveis com El Niño. Pelo critério tradicional de monitoramento, conhecido como Índice Niño Oceânico (ONI), as anomalias já estão muito acima do limiar exigido por semanas.

O aquecimento é ainda mais expressivo junto às costas do Peru e do Equador, onde atua o chamado El Niño Costeiro. Em alguns pontos do litoral peruano, o mar está até 8ºC mais quente do que o normal. Além dos sinais oceânicos, a atmosfera também já apresenta sinais de El Niño. O principal indicador é o Índice de Oscilação Sul (SOI), que mede a diferença de pressão atmosférica entre o Pacífico Ocidental e o Oriental.
Perspectiva de um evento histórico
Os modelos climáticos reforçam a perspectiva de um evento histórico. Caso as projeções se confirmem, o El Niño poderá ser intenso no segundo semestre, na categoria informal chamada de Super El Niño. O episódio poderia até superar os grandes eventos de 1982-1983 e 1997-1998. A dimensão exata do pico de intensidade, no entanto, ainda é uma incerteza.
Para o Sul do Brasil, os sinais são especialmente preocupantes. A experiência histórica mostra que o El Niño inevitavelmente vai trazer chuva extrema, cheias de rios, enchentes, além de muitos temporais severos de vento e granizo. A MetSul destaca que o período de maior risco será o segundo semestre, especialmente entre o fim do inverno e a primavera, e o outono de 2027, mas mesmo no verão podem ocorrer eventos extremos.

Embora aumente o risco de uma nova catástrofe, o retorno do El Niño com intensidade maior que em 2023-2024 não significa que haverá uma repetição da enchente histórica de maio de 2024. Não há relação linear entre a intensidade do El Niño e a ocorrência ou magnitude de um desastre em determinada região. As grandes enchentes dependem da soma de diversos fatores atmosféricos em paralelo e que só podem ser avaliados com maior precisão em previsões de curto prazo.

 

 

*Meteorologista Luiz Fernando Nachtigall / MetSul Meteorologia

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