
Você vai desenrolar?
Está aí o segundo Desenrola proposto pelo Governo Federal. O primeiro foi feito em 2023 e pelo sinal deixou a desejar. Os índices de inadimplência são superiores aos daquela época. Agora consta que 80% das famílias estão endividadas. No projeto, os inadimplentes com renda de até 5 salários mínimos, podem utilizar até 20% do FGTS para saldar as dívidas, principalmente aquelas de cartão de credito, dividas com o setor bancário. Caso haja o acerto este dinheiro vai direto para o credor. Se for ficar saldo este pode ser pago em até quatro anos com o juro limitado em 1,99%. Olhando pelo lado do inadimplente, parece bom, ele vai deixar de pagar uma dívida com juro bem mais elevado, mas está abrindo mão de uma reserva importante no futuro. A expectativa do governo é que serão utilizados até 8,2 bilhões do FGTS. Já a partir do dia 25 você já pode saber o valor disponível do seu FGTS. Você também pode renegociar suas dívidas nas agencias do Correios. Cuidado, é certo que hoje alivia o problema, mas, é necessária uma reorganização financeira para evitar que as famílias voltem para a inadimplência
O outro lado da moeda
Como em economia tudo tem dois lados, estes recursos sacados do fundo deixarão de entrar na economia como investimento. O FGTS é a principal fonte do financiamento habitacional e a queda destes recursos disponíveis pode afetar a construção de moradias. Segundo a Abrainc, dependendo do volume dos saques, entre 59 mil e 100 mil empregos poderão deixar de ser gerados no setor da construção civil. A estimativa é de que entre 25 mil e 46 mil moradias populares poderão deixar de ser entregues. Menos recursos circulando no setor da construção podem gerar um impacto de R$ 11 bilhões no PIB brasileiro. Num país capenga o que se vê é a velha estória do cobertor curto, tapa em cima e descobre em baixo.
Inflação em alta!
Parece que agora o governo se convenceu do rumo da inflação, antes dizia que ela estava contida. O Ministério da Fazenda aumentou a projeção de inflação deste ano de 3,7% para 4,5% que é o máximo da meta. Os cálculos do Governo estão bem mais otimistas que os do mercado de prevê um IPCA de 4,92% e com um viés de alta, ou seja, vai continuar subindo. Nas explicações do Governo isto acontece devido as guerras que fazem o petróleo subir impactando alta do preço dos combustíveis, encarecendo os transportes e aí os custos são repassados para todos os produtos. Outro fator que começa a influir na alta dos preços é a chegada da estação mais fria que atinge diretamente a produção de hortifruti. Algumas estimativas já apontam que o ano de 2026 deve fechar com uma inflação acima de 5% pois inexiste previsão do termino das guerras fazendo com que os preços do petróleo se mantenham em alta. Somente quem vai periodicamente nos mercados tem uma ideia precisa da inflação.
Baixo crescimento da economia
Segundo o Índice de Atividade Econômica do Banco Central, IBC-Br, a economia brasileira cresceu apenas 1,81% nos últimos 12 meses, o que significa uma desaceleração em relação ao mesmo período anterior quando o incremento foi de 1,90%. O mercado através do BC, Boletim Focus, o ano de 2026 deve fechar com um crescimento econômico de 1,85%. Para o ano que vem o mercado estima algo em torno de 1,77%. Ou seja, mercado e Governo estão prevendo que a economia brasileira está com um ritmo de crescimento muito baixo e que tende a assim permanecer. Por um lado, inflação alta e crescendo e por outro, a economia com números pífios e a dívida pública crescendo. Este é o retrato atual do Brasil! Você acha que está tudo bem?
Pense.
Mentes grandes discutem ideias. Mentes medíocres discutem eventos. Mentes pequenas discutem pessoas.
Harri Gervásio - Economista

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