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Supertufão no Oceano Pacífico é um mau sinal para o clima no Brasil
15/04/2026 10:14:39

O supertufão Sinlaku avança pelo Pacífico Oeste sobre águas excepcionalmente quentes e surge como mais um forte indicativo de que o El Niño está próximo e pode ser forte a intenso nos próximos meses com o fenômeno de aquecimento do oceano trazendo grande impacto no clima do Sul do Brasil com excesso de chuva, riscos de enchentes e muitos temporais na Região Sul e intensas ondas de calor no Centro-Oeste e no Sudeste.

As temperaturas da superfície do mar na região do Pacífico onde atua o tufão (com força de um furacão categoria 5) estão muito acima da média, fornecendo grande quantidade de energia para o ciclone tropical.

O calor latente do oceano em excesso permite que ciclones tropicais se organizem rapidamente e alcancem níveis extremos de intensidade. Foi exatamente o que ocorreu com Sinlaku, que passou por uma intensificação explosiva ao atingir força equivalente à categoria 5 em pouco mais de um dia.

O supertufão não oferece risco algum ao Brasil, por estar no Pacífico e no outro lado do mundo, mas as condições oceânicas em que se formou são um prenúncio de El Niño nos próximos meses com profundo impacto no clima brasileiro. Por quê? O cenário de aquecimento no Pacífico Oeste não é isolado. Ele faz parte de uma reorganização maior do sistema climático que está em curso, típica dos períodos que antecedem episódios de El Niño. À medida que o fenômeno se desenvolve, há uma redistribuição de calor no oceano, com impactos diretos na atmosfera.
O fortalecimento de Sinlaku ocorre justamente dentro deste cenário de mudança que está em andamento. A presença de águas muito quentes e de uma atmosfera instável cria condições ideais para a formação de ciclones mais potentes. Esse tipo de ambiente tende a se tornar mais frequente à medida que o El Niño ganha força. Outro aspecto que acende o alerta é o período do ano em que o supertufão se formou. A ocorrência de um tufão tão intenso nessa época sugere que a temporada pode ser mais ativa do que o normal. Em anos de El Niño, há maior probabilidade de formação de sistemas fortes no Pacífico, especialmente na sua porção Oeste.

Em outras palavras, o supertufão não é um evento isolado, mas parte de um cenário maior. A presença de águas mais quentes no Pacífico Oeste com um tufão mais cedo e mais intenso do que o normal para esta época do ano acompanha um “estoque” de águas quentes no Pacífico que é um preditor de El Niño.

Há neste momento uma grande “piscina” de águas quentes no Pacífico Oeste, próxima à Indonésia e à Austrália. Durante a La Niña, os ventos alísios se intensificam e empurram ainda mais água quente para essa região, criando um acúmulo de calor na superfície do mar.

Esse equilíbrio, porém, se rompe quando os ventos alísios enfraquecem ou ocorrem os chamados estouros de vento de Oeste. Esses eventos deslocam a água quente acumulada em direção ao Centro e ao Leste do Pacífico por meio de ondas de Kelvin, que funcionam como pulsos de energia no oceano. Com isso, a água quente passa a ocupar áreas onde antes predominavam águas frias. Esse deslocamento de calor marca o início de um episódio de El Niño, com a formação de uma faixa de águas quentes ao longo do Pacífico equatorial. A mudança altera a circulação atmosférica global, provocando secas em algumas regiões e chuvas intensas em outras. Assim, o que começa no Oceano Pacífico acaba influenciando o clima em escala planetária, inclusive no Brasil.

 

 

 

 

MetSul 

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