
O fenômeno El Niño segue se fortalecendo neste final de outubro na faixa equatorial do Oceano Pacífico, mostram dados da Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera, a NOAA, a agência de tempo e clima do governos dos Estados Unidos.
De acordo com o último boletim semanal da agência, divulgado ontem, a anomalia de temperatura da superfície do mar era de +3,4ºC na denominada região Niño 3.4, no Pacífico Equatorial Central, que é usada oficialmente para definir se há um El Niño na forma clássica e de impacto global, conforme o índice ONI.
A anomalia de temperatura da superfície do mar de +3,4ºC na Região Niño 3.4 é a mais alta até o momento neste evento do fenômeno e 0,1ºC maior que a informada no boletim da semana que passou.
O valor, pelo índice tradicional, corresponde a um El Niño muito intenso. Anomalias nesta área do Pacífico que sejam iguais ou superiores a +2ºC estão na categoria e muito forte, popularmente conhecida como Super El Niño. Também pelo RONI, a anomalia está na categoria de Super El Niño.
A NOAA passou a utilizar neste ano um segundo índice, chamado de Índice Oceânico Niño Relativo (RONI), que faz uma compensação com o aquecimento dos oceanos tropicais, e que mostra hoje uma anomalia na Região Niño 3.4 de +2,5ºC, na categoria de El Niño muito forte. Já na chamada Região Niño 1+2, que mede as anomalias de temperatura da superfície do mar juntos aos litorais do Peru e do Equador, o desvio hoje da média chega a +5,2ºC, o que configura um El Niño Costeiro de excepcional intensidade.
TENDÊNCIA É DE O EL NIÑO SE FORTALECER AINDA MAIS
Todos os modelos de clima analisados pela MetSul Meteorologia indicam que a tendência é de o El Niño seguir se fortalecendo ao longo do mês de novembro na faixa equatorial do Oceano Pacífico. As projeções dos modelos sinalizam que o pico de intensidade do episódio do El Niño de 2026-2027 vai se dar no final deste ano, com quase todas as projeções apontando que o máximo de intensidade ocorreria em novembro ou dezembro com posterior redução da força de forma gradual a partir do começo de 2027. Embora haja consenso de que o evento teria a sua maior intensidade no final deste ano, há divergências sobre qual seria o valor nominal do pico. A maioria dos dados aponta uma anomalia máxima entre 3,5ºC e 4ºC, mas há modelos que chegam a indicar que o El Niño poderia ter anomalia acima de 4ºC no seu pico, na chamada Região Niño 3.4.
CADA EVENTO TEM SUA PRÓPRIA HISTÓRIA
A intensidade de um El Niño, medida pela temperatura das águas do Pacífico Equatorial, não determina de forma proporcional a dimensão dos impactos no clima global ou regional. Um evento mais quente não significa, necessariamente, efeitos maiores em todas as partes do planeta. A relação entre intensidade e impactos não é linear. Cada episódio de El Niño tem uma história própria e ocorre dentro de uma configuração atmosférica e oceânica diferente. A posição das águas mais quentes, a circulação atmosférica, os ventos, a temperatura dos demais oceanos e a interação com outros padrões climáticos podem modificar significativamente a resposta observada durante cada evento. Por isso, os impactos também variam tanto regionalmente quanto em magnitude. Um El Niño muito intenso pode provocar efeitos extraordinários em determinadas áreas e relativamente modestos em outras, enquanto eventos de menor intensidade podem produzir consequências importantes em regiões específicas. O El Niño de 2026 é muito mais forte que o de 2023, por exemplo, e até o momento trouxe menos chuva que três anos atrás no Rio Grande do Sul enquanto em São Paulo o evento de 2023 foi responsável por grandes ondas de calor há três anos e agora o de 2026 causa excesso de chuva até com enchentes. O mesmo ocorre no Paraná. O estado está sendo muito mais afetado por chuva e tempestades que no episódio de três anos atrás.
MetSul Meteorologia
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