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  Opinião - Economia

Harri Gervásio: Calote nos bancos

Por farrapo.rs
07/07/2018 08:47
 
 

Harri Gervásio Economista

O Caçapavano, Harri Goulart Gervásio é um profissional liberal, formado em Economia pela Universidade Federal de Santa Maria, Pós-Graduado em Administração de Empresas pela UFRGS e Pós-Graduado em Gestão Empresarial pela URCAMP. Técnico em Transações Imobiliárias pelo Senac.

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No ano de 2008 o mundo foi surpreendido pela crise americana que teve como principal componente a bolha do suprime. Os bancos emprestaram dinheiro no financiamento de imóveis para quem já estava sem condições de pagar e aí ficaram sem os recursos e tiveram que pegar de volta os bens já com desvalorização acentuada. Na verdade o mundo todo acabou pagando por este erro do mercado financeiro dos Estados Unidos. Por aqui o prolongamento da crise obrigou muita gente a deixar de pagar o financiamento imobiliário, tendo que devolver o bem. No ano passado só a Caixa colocou a venda mais de 28.000 imóveis retomados com um crescimento de 60% sobre o ano anterior. Em 2018 os números já se assemelham a 2017 indicando a ultrapassagem do ocorrido. A inadimplência vem aumentando tanto na Caixa Econômica como nos bancos privados e a tendência é que este quadro se mantenha. O que piora bastante a situação dos bancos é que estes imóveis retomados são colocados à venda com valores bastante depreciados e mesmo assim os negócios realizados são bastante pequenos, cerca de 50%. O estoque de imóveis retomados por parte dos bancos é grande e o que representa um custo elevado para o sistema. A posse destes tem gastos elevados, pois ficam de responsáveis arcando com despesas como impostos e  manutenção. Os bons ventos que sopraram aqui no Brasil, com a economia apresentando números favoráveis, o otimismo batendo taxas elevadas, e com as facilidades oferecidas pelo setor financeiro, propiciou uma grande corrida nos negócios imobiliários. Aí veio a crise, diminuição na renda, desemprego e o sonho da casa própria desmoronou. Hoje a perda dos imóveis por falta de condições de arcar com as prestações é consequência da crise econômica que se abateu sobre o Brasil a partir de 2014. Tem aqueles que perderam os imóveis e tem outros que estão com os imóveis, verdadeiros micos, sem saber o que fazer com eles.  Na verdade todos acabam, de uma ou de outra maneira, pagando a conta.

Quais são as perspectivas para o setor?
Em primeiro lugar o momento é de incerteza e insegurança sobre o futuro politico do país e principalmente sobre os rumos da economia. Qual o grupo que assumirá o poder? Quais são os seus planos para a economia? Os eleitos terão sustentação politica para realizar as reformas necessárias? Com este quadro poucos se animam a contratar, comprometendo a renda futura. Se tudo correr da melhor forma possível e o quadro politico ficar definido e tranquilo e as decisões tomadas colaborar para que a economia volte a crescer retornando o otimismo, ainda assim será necessário certo tempo para o mercado desove o estoque existente, que hoje é considerável. Olhando para cá e para lá é possível afirmar que o setor imobiliário ainda deve patinar por uns bons anos. Como este é um setor que gera um volume grande de empregos e sempre no curto prazo, é provável que o governo se proponha a oferecer vantagens,  investindo no setor. Resta saber se os recursos necessários estarão disponíveis e se os clientes estarão com mais confiança no sistema e dispostos a comprar. Hoje o governo esta sem bala na agulha, muito desacreditado e o mercado por si só está sem forças para bancar a conta. Talvez após a copa do mundo e quando surgirem às plataformas eleitorais seja possível ter um cenário futuro mais definido. Até lá fica tudo num compasso de espera.

Para cima e para baixo
Em momentos anteriores o mercado convivia com uma perspectiva de crescimento da economia, mesmo que pequeno, e uma inflação baixa e contida. O governo apostava as fichas num PIB de mais de 3% e uma inflação de 2%. O mercado sempre esteve mais pessimista falando num crescimento do produto em torno de 2% e a inflação chegando a 2,5%. Na penúltima previsão, o Banco Central calculava a economia crescendo a 2,6% mas, de repente, reduziu o desemprenho da economia para 1,6%. Dizem que a greve dos caminheiros levou um ponto percentual do PIB. Em termos de inflação os números já superam os 4% levando em conta também a paralisação de 11 dias no setor de transportes. O momento presente é de economia em queda e inflação aumentando. É possível que o 2018 venha fechar com um crescimento econômico semelhante a 2017, ou seja, 1% e a inflação muito próximo do centro da meta, 4,5%. No primeiro trimestre os números foram positivos, mas abaixo do esperado e no segundo a queda vai ser acentuada. Tomara que a coisa mude no segundo semestre alavancado pela vitamina das eleições. Senhores façam as suas apostas!!!!

Pense
Não desperdice flores brincando de bem-me-quer.

Indicadores de Confiança                                   
Dados de 07/07/2018

Salário Mínimo
Salário Mínimo Nacional = R$ 954,00 -  R$ 31,80 p/ dia e R$ 4,33 p/ hora.
Salario Mínimo Regional = R$ 1.196,47/ 1.224,01/ 1.251,78/ 1.301,22/ 1.516,26

Construção Civil – junho de 2018.
CUB/RS – Sinduscon/RS 
Residência Unifamiliar (normal) – R$ 1.796,12 m2. / variação 12 meses = 3,82 %
Residência Multifamiliar (normal) – R$  1.482,60 m2. / variação 12 meses = 4,52%
Mão de obra – Valores pagos  - Sinduscon
Pedreiro = R$ 7,14/h
Servente = R$ 5,71/h

Taxas de Inflação – Índices de Preços – junho de 2018
IGP–M (FGV) = 1,87%  / acumulado 12 meses = 6,92%
INCC-M ( FGV)  =  0,76% / acumulado 12 meses = 3,41 %

Reajuste de aluguéis (exemplo) – Anual,  corrigido por um índice de inflação escolhido pelas partes, acumulado dos últimos 12 meses. 
Ex: Aluguel R$ 200,00(12º. mês jun.) + 6,92% (IGPM) = Novo valor (jul) = R$ 213,84

         
Taxa Selic = 6,50 % a.a.      Taxa de Juro de Longo Prazo (TLP) = 6,56% a.a.

Salvo erros de grafia.

Por farrapo.rs

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