Opinião - Economia

Harri Gervásio: Combatendo o gigante

Por farrapo.rs
29/11/2018 16:34
 
 

Harri Gervásio Economista

O Caçapavano, Harri Goulart Gervásio é um profissional liberal, formado em Economia pela Universidade Federal de Santa Maria, Pós-Graduado em Administração de Empresas pela UFRGS e Pós-Graduado em Gestão Empresarial pela URCAMP. Técnico em Transações Imobiliárias pelo Senac.

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No processo de luta contra o subdesenvolvimento o governo assume o papel de indutor uma vez que a iniciativa privada é débil e sem recursos suficientes para investir. No inicio a infraestrutura precária e setores essenciais exigem grande volume de recursos e o retorno é de longa maturação. Aí vem a mão do setor publico com projetos estratégicos criando condições para que o processo de desenvolvimento aconteça. O Brasil viveu esta fase, muita coisa foi feita e os resultados apareceram. A segunda etapa é transferir os possíveis para a iniciativa privada, ficando com setores de responsabilidade exclusiva do setor publico. É assim que deve ser feito, mas, na prática é diferente. Na ânsia do poder e principalmente com a fome de gerar emprego e contar com o voto daqueles que recebem uma boquinha, a máquina foi crescendo, crescendo e ficando enorme. Governo federal, governos estaduais e municipais partiram para criar empresas, autarquias, fundações e companhias, transformando o setor publico um verdadeiro gigante com poderes infinitos em todos os setores e plagas. Ao invés de priorizar investimentos em setores estratégicos, optou por gerar empregos, cargos e mais cargos onde os afilhados foram sendo distribuídos formando uma verdadeira rede de sustentação de poder. Acontece que os orçamentos ficaram totalmente comprometidos com despesas fixas, principalmente com folhas de pagamento desaparecendo as margens para investir e aí sem investimentos a maquina da produção e renda começou a parar ou andar muito devagar. As receitas de impostos caíram e as despesas continuaram crescendo gerando o caos financeiro. Esta é a realidade do setor publico brasileiro, incapaz de gerar uma administração eficiente.

O que fazer?
Tudo seria simples, é só equilibrar receita e despesa. Parece fácil, mas só parece, porque na atual conjuntura é muito difícil. Iniciando pelo lado da despesa, ela é bem maior do que a receita e está crescendo a cada período. Em primeiro lugar tem que interromper este crescimento evitando maiores gastos e custos. No segundo lugar fica a parte mais difícil, diminuir despesas. Como isto poder ser feito? Corte de gastos em todos os poderes, executivo, legislativo e judiciário. Todos tem que devolver aquilo que ficaram de posse durante muito tempo, que podia ser chamado de era da gastança, onde tudo era fácil e possível. É bom destacar que este novo posicionamento deve ser da União, Estados e Municípios, pois o setor público é a soma destes três entes. Num segundo tempo que deve ser concomitante, os governos devem partir para a privatização e venda do possível, entregando para o setor privado empresas, companhias, etc, que vão ser geridas com mais eficiência, porque o setor público é um mau gestor. Claro que as reformas já a bastante tempo programadas e que permanecem sendo empurradas com a barriga, tem que ser aprovadas e implementadas. Se tudo isto for feito, ufa, é possível que na próxima década o equilíbrio entre despesas e receitas esteja mais próximo.

Receitas
Na verdade o Brasil acaba de sair do fundo do poço, recessão de quase três anos que exauriu as reservas e confiança de todos. Permanece sentado na beirada, mas o poço continua ali! A máquina esta em marca lenta e como vai ser vitaminada para a velocidade aumentar? Em primeiro lugar este processo depende em grande parte dos investimentos privados e este precisa ter recursos e confiança de que o futuro será mais promissor. O setor público está totalmente desacreditado e é necessário que este quadro seja revertido porque é muito importante acreditar que as finanças publicas vão ser bem administradas e o nó vai ser desatado. Além do empresário local o foco deve ser os investidores estrangeiros que esperam ser incentivados a trazer os seus recursos para cá e para isto também é necessário uma expectativa de bons retornos financeiros e segurança jurídica e institucional. Se de um lado investir em emergentes tem possibilidade de boas taxas de retorno por outro o risco deve ser calculado. Neste caso a confiabilidade do poder publico é determinante no fluxo positivo. Claro que o governo deve, dentro dos seus limites, produzir subsídios e ajudas alimentando determinados setores, principalmente aqueles geradores de empregos no curto prazo porque daí vem à renda que potencializa o consumo.

Combinaram com os russos?
Mesmo que exista boa vontade e determinação por parte do poder executivo de realizar ações e reformas este fica na dependência do setor legislativo que pode facilitar ou dificultar a aprovação de projetos. Capacidade de compor é fundamental. É um verdadeiro jogo de xadrez, onde ao mexer uma pedra o quadro se altera. Situação difícil!

Pense
Acredite que o possível é motivo suficiente para não desistir.

Indicadores de Confiança                                   
Dados de 23/11/2018

Salário Mínimo
Salário Mínimo Nacional = R$ 954,00 -  R$ 31,80 p/ dia e R$ 4,33 p/ hora.
Salario Mínimo Regional = R$ 1.196,47/ 1.224,01/ 1.251,78/ 1.301,22/ 1.516,26

Construção Civil – outubro de 2018.
CUB/RS – Sinduscon/RS 
      Residência Unifamiliar (normal) – R$ 1.814,27 m2. / variação 12 meses = 4,56 %
      Residência Multifamiliar (normal) – R$  1.504,43 m2. / variação 12 meses = 5,51%
Custo Nacional da Construção Civil –  Sinapi – IBGE
      Brasil = R$ 1.190,86m2  /  variação  12 meses = 4,49%
      Rio Grande do Sul = R$ 1.178,45 m2  /  variação 12 meses = 4,50 %
Mão de obra – Valores pagos  - Sinduscon
      Pedreiro = R$ 7,15/h

      Servente = R$ 5,76/h

Taxas de Inflação – Índices de Preços – outubro de 2018
IGP–M (FGV) = 0,89%     /  acumulado 12 meses = 10,79%
INCC-M ( FGV)  =  0,33% / acumulado 12 meses = 4,00%
IPCA (IBGE)  =  0,45%  /  acumulado 12 meses  =  4,56%
INPC (IBGE)  =  0,40%  /  acumulado 12 meses  =  4,00%

Reajuste de aluguéis (exemplo) – Anual,  corrigido por um índice de inflação escolhido pelas partes, acumulado dos últimos 12 meses. 
Ex: Aluguel R$ 200,00(12º. mês out.) + 10,79% (IGPM) = Novo valor (nov) = R$ 221,58

         
Taxa Selic = 6,50 % a.a.      Taxa de Juro de Longo Prazo (TLP) = 6,56% a.a.

Salvo erros de gráfia.


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