Opinião

Professor Cristiano Alves escreve Crônica da educação pública

Por farrapo.rs
25/11/2019 09:24
 

Portas e janelas feias, entortadas, quebradas, com fechaduras sem a menor condição e vidros trincados ou rotos. Pisos desnivelados, velhos, de madeira, com perigosos buracos. Paredes com rachaduras profundas, que aumentam à proporção que o tempo passa.

Salas de aula interditadas, que, assim mesmo, recebem alunos, professores, funcionários da limpeza. Laboratório de informática com doze computadores para uma escola inteira, mas que funcionam quando desejam. Internet precária. Ventiladores de teto ou de parede que não têm serventia.

O ginásio de esportes da comunidade utilizado para as práticas de educação física. Era. Antigamente. Há vários anos interditado, caindo aos pedaços, sem nenhum interesse do poder público em recuperá-lo.

Professores e funcionários desmotivados, com salário parcelado há cinco anos; sem aumento, nem mesmo a reposição da inflação. Rendimentos pagos com atraso de quarenta e cinco dias. O décimo terceiro, em doze parcelas. Não bastasse tudo isso, o executivo com o propósito de tirar todos os direitos adquiridos pelos servidores ao longo de meio século.

O desmonte da educação pública. Porque nunca houve interesse das elites no que diz respeito à aprendizagem do pobre, do povo, dos filhos dos trabalhadores. Porque quem tem boas condições financeiras coloca seus filhos em uma escola privada, onde tudo é diferente.

Mandela dizia que a educação é a arma mais poderosa para mudar o mundo. Paulo Freire, por sua vez, que sem educação a sociedade não muda. Não é preciso dizer isso aos governantes. Eles sabem. Mas não querem.

Cristiano Porto Alves
Graduado em Letras Português-Espanhol pela FURG
Professor da escola Gladi Machado Garcia (em Minas do Camaquã)


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