
O Guaíba entrou em cheia pela primeira vez neste episódio de Super El Niño e vai seguir se elevando ainda com a chegada da vazão de rios contribuintes que estão com os níveis altos ou muito altos, projeta a MetSul Meteorologia.
No final da madrugada desta sexta-feira (24), o nível do Guaíba na régua do Cais Central da Avenida Mauá, junto ao Centro Histórico, estava em 2,06 metros e a tendência é de gradual elevação.
Os dados são da régua eletrônica instalada quase na altura do pórtico do Cais Central, a única estação de monitoramento que não saiu do ar na enchente de 2024 por usar uma nova tecnologia de coleta de dados e cujo medição do pico mais se aproximou da cota oficial máxima calculada pelo Serviço Geológico Brasileiro no desastre de 2024.
Assim como alertamos reiteradamente durante a enchente de 2024, a régua que existe no Gasômetro, e cujos dados são publicados em várias páginas na internet, tem valores inferiores à medição do Cais Central.
Esta régua do Gasômetro foi instalada emergencialmente na enchente de dois anos atrás e os seus dados, embora sejam corretos para o ponto do Gasômetro, não refletem a realidade do Cais Mauá com cota de transbordamento distinta dos 3,00 metros da cota de inundação do Centro Histórico, que é a amplamente conhecida da população por décadas.
A SITUAÇÃO DOS RIOS CONTRIBUINTES DO GUAÍBA
O Guaíba tem cinco rios contribuintes: Jacuí, Taquari, Caí, Sinos e Gravataí. A condição de cada um deles, em conjunto, conta a história de uma cheia do Guaíba. Os dois maiores contribuintes são o Taquari e o Jacuí. O Rio Taquari tem hoje cheia média a grande e atingiu 24,8 metros em Lajeado ontem, o que é bastante. Neste momento já baixa no vale e o pico da onda de vazão que passou pelo vale está chegando no delta do Jacuí a ao Guaíba entre hoje (24) e amanhã (25).
Já o Rio Jacuí, o principal contribuinte em vazão, também apresenta cheia. Na cidade de Cachoeira do Sul, passou dos 20 metros ontem, valor abaixo dos extremos de 26,5 metros de 1941 e 2025, e dos 29,5 metros de 2024. O Jacuí se eleva também na parte final da bacia com alguns alagamentos ribeirinhos já na Região Carbonífera. Nos três menores contribuintes, o Caí tem cheia e atingiu 11,4 metros em São Sebastião do Caí (1,4 metro acima da cota de inundação) na quarta, o que por valores históricos não é uma cheia grande. A maior vazão do Caí está chegando no final de semana no Guaíba. O Rio dos Sinos tem cheia, mas não é grande no momento. Taquara, no começo da bacia, está levemente acima de cota de inundação e não tem muito mais água por chegar nas próximas 72 horas em razão do que já choveu. O Gravataí subiu, mas sem cotas muito expressivas. Com o Jacuí sem uma cheia de grande porte, Taquari com cheia média a grande, Caí com cheia pequena a média, e o Sinos e o Gravataí sem cheias expressivas, o conjunto indica condições de cheia no Guaíba nas próximas 72 horas, mas sem cotas perigosas como as de 2023 e 2024.
RISCO PARA AS ILHAS DE PORTO ALEGRE
A MetSul Meteorologia reitera que o risco em Porto Alegre hoje e no fim de semana é para as ilhas da capital, no bairro Arquipélago, onde os primeiros alagamentos ocorrem quando a medição do Cais Central da Mauá indica cotas de 2,2 a 2,3 metros. Uma vez que o Guaíba pode subir mais, a marcas entre 2,30 metros e 2,50 metros, nas próximas 48 horas, a tendência é que pontos mais baixos das ilhas tenham alagamentos.
MetSul
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