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Temporal no RS deixa dois mortos, três feridos e três desaparecidos em diferentes regiões
22/09/2026 08:54:32

A tempestade entre domingo e segunda-feira, provocada pelo avanço rápido de uma frente fria, deixou duas pessoas mortas, três feridas e três desaparecidas no Rio Grande do Sul. Um balanço preliminar da Defesa Civil do Estado, divulgado nesta segunda-feira, confirma 122 ocorrências em 119 municípios relacionadas ao temporal. Entre os principais registros estão vendavais, chuvas intensas, granizo, alagamentos, enxurradas, deslizamentos e movimentos de solo e lama.
Pelotas, Santa Vitória do Palmar, Capão da Canoa e Júlio de Castilhos estão entre as áreas mais afetadas pelo fenômeno, conforme informou a Defesa Civil do Estado em coletiva no início da noite desta segunda-feira. Até o momento havia 27 alertas vigentes no Estado. Desses, 20 eram relacionados a movimentos de massa, principalmente na Serra, e sete tratavam de risco de inundações em pontos específicos de bacias hidrográficas.

“Reforçamos com as com as populações que residem nessas áreas de declividade acentuada para que estejam atentos a esses sinais e não estejam expostos“, afirmou a tenente Sabrina Ribas da Defesa Civil do Estado em coletiva.

A Defesa Civil orienta a população a evitar deslocamentos durante períodos de chuva intensa, especialmente em áreas alagadas. A recomendação ganha atenção diante do fato de que a vítima que morreu e três dos quatro desaparecidos estavam em deslocamento durante a tempestade.

 

Desaparecidos e mortos
Em Pelotas, um motociclista teria colidido contra um fio que atravessava a rua e morreu. A segunda morte ocorreu em Caxias do Sul. Os bombeiros encontraram o corpo de Eliane Nunes da Silva, de 43 anos, dentro do carro em que ela estava com os dois filhos, uma adolescente e um menino de 4 anos. Os dois menores continuam desaparecidos. A Defesa Civil, no entanto, ainda não confirmou oficialmente a morte de Eliane.
No bairro De Lazzer, os bombeiros procuram um homem que teria caído em uma galeria durante uma tentativa de desentupimento de um bueiro. A suspeita é de que ele tenha sido sugado pela abertura e, posteriormente, arrastado pela força da água.

 

Estradas bloqueadas e falta de energia
As chuvas que atingem o estado neste início de semana causam danos nas rodovias estaduais. Na Serra, os motoristas devem ter atenção para o bloqueio total da ERS 431, em São Valentim do Sul; da ERS 444, entre Monte Belo do Sul e Santa Tereza; da ERS 448, entre Nova Roma e Farroupilha; e da ERS 110, entre o km 70 e o km 72. No Vale do Rio Pardo, há bloqueio na ERS 347, em Segredo. Além das vias estaduais, a chuva provoca bloqueios em rodovias federais em diversas regiões.

O Rio Grande do Sul permanece com um grande número de clientes sem energia elétrica nas duas principais concessionárias do Estado. Na área de atuação da CEEE Equatorial, 348.070 consumidores seguem afetados em atualização mais recente no painel de monitoramento da empresa. Já na área da CPFL RGE, 124 mil clientes seguem sem energia elétrica.

 

O que aconteceu
A frente fria chegou ao Estado no início da madrugada, após um domingo marcado pela atuação de ar quente. O sistema avançou rapidamente pelo território gaúcho e provocou chuva intensa, granizo e ventos fortes em diversas regiões.

Na Serra, nos Vales e no Norte, a frente avançou mais lentamente, favorecendo a concentração de calor e umidade e aumentando a intensidade das chuvas. Em alguns pontos, foram registrados cerca de 200 milímetros em 48 horas, com parte significativa do volume concentrada em apenas três a seis horas.

“Na região da Serra e dos Vales, houve a canalização da umidade e do calor que entrou choque com essa frente fria, por isso que trouxe as chuvas intensas”, afirmou a metereologista da Defesa Civil do Estado, Vanessa Gehm.

A Defesa Civil ainda não confirmou a ocorrência de tornados. A avaliação dos danos e de possíveis fenômenos associados às tempestades continua sendo realizada.

 

Próximas horas
Para a noite de segunda-feira, ainda eram esperadas pancadas moderadas a fortes na Região Metropolitana, nos Vales, na Serra e no Norte. A instabilidade deveria perder força até o fim da noite. Na terça-feira, ainda poderiam ocorrer pancadas no Norte e Nordeste, mas sem previsão de volumes capazes de provocar novos transtornos.

Em relação ao Guaíba, ainda não era possível estimar com precisão a resposta do nível da água aos volumes registrados no Taquari e em outros afluentes. A expectativa da Defesa Civil é ter uma avaliação mais precisa entre a terça-feira e a noite de terça.

 

 

 

Por Camila Mendes - Correio do Povo

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