
O primeiro semestre já era!
Ufa, já se passaram seis meses do ano de 2026. Para alguns passou muito ligeiro, mas, para outros, o ano foi se arrastando. Vale a pena dar uma olhada nas expectativas do início do ano e aquilo que está sendo projetado hoje. A opção é analisar algumas variaveis macroeconomicas e as escolhidas são as do Boletim Focus do Banco Central, IPCA, PIB, CAMBIO e SELIC.
Sempre é bom lembrar que elas são resultado de pesquisa de com mais de 100 profissionais, economistas do sistema financeiro, que olham o caminho que o país vai percorrer. Os dados são atualizados toda a semana. É uma projeção do futuro de acordo com o olhar presente. São previsões sem o compromisso de precisão.
Falando em inflação
Antes de qualquer análise é bom explicar que existem inúmeros índices que são mensalmente publicados e cada um tem variáveis que são pesquisadas e os resultados são diversos, portando inexiste a inflação e sim a inflação segundo determinado índice. Alguns dizem que cada um tem a sua inflação segundo o seu consumo. Pegando somente os dados do IBGE, da FGV e do IPC do IEPE, temos 12 índices, que medem a inflação mensal e anual. E aí temos resultado acumulado dos últimos 12 meses, de 6,64% para o INCC-M da FGV que é um índice que acompanha a variação de preços do setor da construção civil, até -6,76% IPA-Agro FVG, que como a sigla menciona, trata dos preços do agro.
Para citar outro instituto, encontramos 6,68% do IPC (IEPE) que mede os preços de consumo de uma cesta determinada. Todos os citados se referem ao acumulado dos últimos 12 meses. INCC-M de 6,64 retrata bem o momento da construção com enormes incentivos do governo. Muita demanda. Já o IPA-Agro demonstra as dificuldades do agro. Luta contra a instabilidade do tempo e baixo valor da produção. Hoje o IPCA acumula 4,72%. Este índice retrata a cesta de produtos e serviços de consumo das famílias com renda entre 1 e 40 salários mínimos. Alimentos, transporte, habitação, saude, vestuário, comunicação, educação e outros. É um índice bastante abrangente e que está super aquecido devido a colocação de recursos no mercado de consumo. Como é possível entender, existem várias inflações e cada uma representa uma situação de acordo com as variáveis pesquisadas. Portanto, quando o assunto for inflação todo o cuidado é pouco. É necessário escolher o índice que vai ser usado.
IPCA
Hoje o IPCA, acumulado, dos últimos 12 meses, é de 4,72%. Segundo o Boletim Focus, o ano deve encerrar com 5,30%. No início do ano a aprevisão era de um IPCA de 4,06% e hoje, para o final do ano é de 5,30% portanto a espectativa é que a inflação continue em alta. Para o ano de 2027 o BC preve uma inflação de 4,18%. É bom lembrar que a meta da inflação estabelecida pelo governo é de 3%.
Fatores que elevam a inflação
Em primeiro lugar são os efeitos das guerras, que elevaram o preço do petróleo e este, como todos sabem, trazem uma alta de preços em todos os setores. Outro fator determinante é o aquecimento no consumo motivado pela ampla distribuição de recursos e benefícios do Governo Federal, que coloca dinheiro na mão dos consumidores o que facilita os gastos. E aí, como o setor produtivo precisa de um tempo maior para atender a demanda, isto tras o crescimento dos preços. Tem mais um fator bastante relevante que é o efeito do El Ninõs que já está presente, com seca no Nordeste e chuvas abundantes no Sul.
Quebra de safras, pressão no preço dos alimentos, acionamenrto de termolétricas, etc. Todos estes fatores irão pressionar para a alta da inflação. Para que o viés de alta fosse alterado seria necessario retirar dinheiro do mercado, para aliviar a presão sobre os preços. Mas isto em ano eleitoral é praticamente impossível, portanto a inflação vai continuar elevada e em crescimento. O que se vê são gastos vultuosos em beneficios e distribuição de renda, que ativa o consumo momentaneamente. O setor produtivo, este que pode gerar renda e dinamizar a economia, fica sempre em segundo plano. Os investimentos no Brasil representam hoje cerca de 17% do PIB e que teria que ser pelo menos 24% para gerar desenvovimento continuado. Como alterar este quadro?
No próximo Pitacos a análise será do PIB brasileiro.
Pense.
Procurai e encontrareis. Batei e seras atendido. Pedi e recebereis.
Economista Harri Goulart Gervasio.
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