Pitacos do Harri
23/08/2026 16:05:25

Os bancos estão assustados.
Os principais bancos do Brasil reforçaram as estratégias para atravessar o cenário de deterioração do
crédito. Mesmo com cortes de juros pelo BC, as guerras do Oriente Médio e o desequilíbrio das contas
públicas estão retardando o ritmo de alívio monetário. Os juros altos elevam o endividamento das
famílias e o comprometimento da renda. Com base nos horizontes que continuam obscuros, Banco do
Brasil, Bradesco, Itaú, e Santander já separaram R$ 91 bilhões para provisões contra devedores
duvidosos, neste primeiro semestre. Este valor é 23% maior do que no semestre anterior. Ou seja, a
situação ficou pior! Eles olham para as dívidas históricas do setor público do Brasil que é enorme e
continua subindo, grande parcela de famílias endividadas, setor industrial endividado e com
dificuldade de produzir em função do crédito caro, setor comercial com enxugamento, fechando lojas e
demitindo e o setor agro com endividamento profundo, são presságios de uma “tempestade perfeita”.
Isso tudo esta assustados e forçando a tomar medidas para aguentar o que estas por vir. Significa juros
mais caros e seleção na hora de dar o crédito. O calote se tornou uma realidade. Qualquer setor que
hoje seja examinado está com água acima do pescoço. Por precaução ninguém deve ignorar este
cenário. O recado é “lute pela sobrevivência”.

Forte desaceleração.
Os últimos dados do Banco Central, segundo IBC-Br, registraram um crescimento de 0,2% no segundo
trimestre deste ano. Claro que o BC calcula do Produto Interno Bruto, mensal, com variáveis diferentes
do IBGE, mas é uma base muito utilizada como prévia do PIB-IBGE que sai em setembro. No
primeiro trimestre, segundo o BC, o crescimento foi de 1,3%, uma expansão bem maior. O governo
tem tomado medidas para estimular a economia e reduzir o endividamento, o que estimula o consumo.
Isto faz com que a inflação se mantenha elevada prejudicando os de menor renda. Como a produção
deixa de responder a altura, a inflação continua impedindo a queda maior nos juros. Juros altos freia
investimentos que são os verdadeiros geradores de renda. Vários economistas estão apontando que o
Brasil vive momento econômico semelhante ao processo de recessão do Governo Dilma. Será que
vamos conviver novamente com o monstro da recessão? Os cenários são assustadores!

Recuperação Judicial em alta.
O Brasil encerrou o primeiro semestre com 6.341 empresas em recuperação judicial, um recorde. Este
mecanismo permite que negócios com condições de continuar funcionando, reorganizem suas dívidas,
preservem empregos e continuem funcionando. A elas é dado um respectivo tempo, com condições
para a recuperação, caso isto continuem aí, vem a falência. No momento a preocupação é com o
aumento destes casos que agora abrangem pequenas, médias e grandes empresas e conglomerados em
todos os setores. Toda a semana vem noticias de grandes lojas e redes que fecham lojas, filiais,
gerando pressão no desemprego que começa a trilhar um caminho de alta. O recorde nos primeiros
semestres da recuperação judicial no Brasil é algo que demonstra o grande problema no setor
empresarial brasileiro, justamente este, que é o verdadeiro gerador de renda e emprego. Segundo o
Serasa em maio eram 9 milhões de empresas inadimplentes. Este quadro é resultado de uma
combinação de fatores, entre eles, juros elevados, endividamento do setor, problemas climáticos,
oscilação de preços, custos elevados da produção, tributação excessiva e incerteza jurídica. Como se
vê a equação é de grandes dificuldades para a solução, principalmente nos curto e médio prazos. Em
função de tudo isto é que as previsões econômicas do Brasil, para os próximos anos, são de inflação,
juros elevados e baixo crescimento. Mais uma década perdida!

Boa noticia.
A descoberta de petróleo no litoral do Amapá, no meio desta enxurrada de más noticias econômicas,
trás um certo alivio. Claro que nada é para o curto prazo, mas vamos rezar para que realmente
aconteça. Já estão dizendo que será a salvação do Brasil. Já vimos este filme! Lembram que o pré-sal
traria riqueza para todos! Pois é agora já esta prevista e exaustão das reservas e o Brasil continua o
mesmo. Vem grandes descobertas e o dinheiro desaparece.

Pense.
A notícia é o primeiro rascunho da história.

 

 

Economista Harri Goulart Gervásio

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