Secretaria da Educação ressalta a importância de iniciativas contra o bullying em escolas do RS
08/04/2026 08:53:47

Celebrado nessa terça-feira (7), o Dia Nacional de Combate ao Bullying e à Violência na Escola motivou a Secretaria da Educação (Seduc) do Rio Grande do Sul a reforçar o compromisso com a promoção de ambientes seguros, acolhedores e inclusivos nas instituições de ensino. Na rede estadual, esse trabalho é contínuo, por meio do Núcleo de Cuidado e Bem-Estar Escolar (NCBEE).

A iniciativa parte da compreensão de que o cuidado é uma responsabilidade compartilhada entre escola, Coordenadorias Regionais de Educação, órgão central, famílias e rede intersetorial de políticas públicas. No foco está a promoção da uma cultura de paz, o fortalecimento da convivência e a prevenção de conflitos, bem como o respeito às diferenças.

Criado em 2023, o Núcleo desenvolve estratégias para qualificar o clima escolar e apoiar as instituições de ensino na construção de relações mais saudáveis. Já foram formados ao menos 1.040 facilitadores para a condução dos “Círculos de Construção de Paz”, que incentivam o diálogo, escuta ativa e resolução coletiva de conflitos.

As ações alcançam estudantes, professores e equipes diretivas, contribuindo para ambientes mais colaborativos, respeitosos e solidários. Trata-se de um trabalho também baseado no acompanhamento contínuo das situações vivenciadas pelas escolas.

Dados da plataforma da Comissão Interna de Prevenção a Acidentes e Violência Escolar (Cipave+) indicam que comportamentos como apelidos pejorativos e atitudes com intenção de constranger colegas estão entre as formas mais recorrentes de bullying e sua versão virtual, o “cyberbullying”.

No ambiente escolar, a sala de aula é o espaço onde esses episódios aparecem com maior frequência. Já no meio digital, a diversidade de plataformas e a menor supervisão direta de adultos tornam o enfrentamento mais complexo, exigindo uma atuação ainda mais integrada entre escola, família e atores da rede de proteção.

Atualmente, a rede conta com quase 2 mil comissões ativas, mobilizando a comunidade escolar na construção de soluções e no cuidado coletivo. Pela plataforma Cipave+, estão registradas, desde 2023, mais de 6 mil ações de prevenção desenvolvidas pelas próprias escolas, evidenciando o protagonismo local na promoção de ambientes mais seguros.

Esse trabalho é complementado pelo suporte de equipes multiprofissionais distribuídas nas Coordenadorias Regionais de Educação. São mais de 60 profissionais das áreas da psicologia e do serviço social que oferecem apoio técnico e psicossocial às escolas, contribuindo tanto para o atendimento de estudantes em situação de vulnerabilidade quanto para o fortalecimento das ações de convivência.

A formação dos profissionais da educação também é parte central dessa estratégia. A rede conta com uma plataforma de cursos complementares e materiais de apoio disponíveis na Cipave+, além dos módulos do Protocolo de Paz e Segurança nas Escolas. Já foram lançados documentos orientadores sobre o combate a ameaças às escolas, violência racial, de gênero e LGBTQIA+fobia. Além disso, para este ano está previsto o lançamento de um protocolo específico para o enfrentamento do bullying e do cyberbullying.

Identificação 

Outro ponto importante destacado pelo Núcleo é a necessidade de compreender corretamente o que caracteriza o bullying. De acordo com a legislação vigente, trata-se de um comportamento intencional, repetitivo e, muitas vezes, sem motivação aparente – o que o diferencia de conflitos pontuais. Essa distinção é fundamental para qualificar o olhar das escolas e garantir respostas mais adequadas a cada situação.

Quando um caso é identificado, o primeiro passo é o registro na plataforma Cipave+, canal oficial de comunicação com o Núcleo. A partir dessa notificação, as equipes das Coordenadorias Regionais de Educação acompanham a situação, analisam as medidas já adotadas pela escola e, em conjunto com a equipe local, constroem estratégias de intervenção.

Esse processo pode envolver orientações técnicas, visitas presenciais, acompanhamento remoto e, quando necessário, o acionamento da rede intersetorial, incluindo serviços de saúde, segurança e assistência social, especialmente em situações que demandam atenção continuada.

 

 

 

 

 

Marcello Campos - Jornal O Sul

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