Caçapava do Sul

Índice de colesterol em crianças é alarmante

27/08/2012 08:58
 

Nas escolas crianças recebem alimentação saudável (Foto:Gazeta de Caçapava)

Segundo a versão on-line do jornal Gazeta de Caçapava, a Secretaria da Saúde do município está fazendo uma campanha de prevenção e combate à anemia, ao diabetes e ao colesterol em crianças de 0 a 10 anos. Nas escolas municipais, estão sendo coletadas e analisadas amostras de sangue das crianças. Até agora foram feitos 87 exames em alunos de duas escolas municipais de Educação Infantil (EMEI). Os resultados são preocupantes: 90% das crianças apresentaram colesterol elevado.

Os dados deixaram em alerta a chefe de gabinete da Secretaria da Saúde e coordenadora do projeto, Alessandra Martins dos Santos, a nutricionista que realiza o trabalho de prevenção, Aline Teixeira Oliveira, e também os pais e professores.

- Tivemos um percentual altíssimo de crianças com colesterol acima do índice normal. Mas o que também nos preocupa é que as crianças que não estão com o colesterol elevado apresentaram outros problemas, como anemia ou diabetes. Isso significa que quase 100% das crianças examinadas têm problemas – disse a chefe de gabinete da Secretaria da Saúde.

Crianças de todas as escolas municipais devem fazer os exames. Conforme Alessandra, a tendência é de que os resultados ruins se repitam.

- Na semana passada foram feitos exames na EMEI Eva Saldanha. A nutricionista ainda não analisou os resultados, mas através de uma olhada superficial, já podemos constatar que a tendência é de que os índices sigam altos, principalmente de colesterol – relata.

Nos próximos dias, a Secretaria de Saúde fará reuniões com os pais dos alunos para um trabalho de conscientização e prevenção.

- A partir desses resultados temos que tratar essas crianças. Isso é um trabalho de formiguinha que deve ser realizado a longo prazo. Pretendemos fazer reuniões com os pais e informá-los sobre o que está acontecendo. Nestas reuniões já pretendemos agendar consultas, com clínicos gerais e também com uma nutricionista para conseguir reverter essa situação – disse Alessandra.

A responsável por avaliar os exames dos alunos, a nutricionista Aline Teixeira de Oliveira, disse que o motivo dos resultados estarem alterados é devido à transição alimentar e principalmente à falta de tempo dos pais para prepararem alimentos saudáveis para seus filhos. Destacou, ainda, como principais vilões da alimentação das crianças os salgadinhos, refrigerantes, alimentos industrializados, lanches e excesso de carne e leite.

- O ideal seria uma alimentação mais saudável, rica em frutas e verduras, e diminuir o consumo de produtos industrializados. Acredito que esse não seja somente um problema das escolas públicas, e sim de todas as crianças. Se não tomarmos providências, estaremos criando adultos doentes, com problemas cardiovasculares e diabetes, por isso é preciso haver um entendimento por parte das crianças e conscientização dos pais – destaca Aline.

A nutricionista e coordenadora da Alimentação Escolar da Prefeitura, Cleuza Borba, explica que a alimentação fornecida nas creches segue os princípios básicos. São servidos café da manhã, lanche e almoço, e na parte da tarde mais dois lanches. Elas tomam leite, comem arroz, feijão e salada verde, segundo Cleuza, tudo dentro de um cardápio o mais balanceado possível. A nutricionista não critica os pais, mas acredita que essas crianças recebem alimentação errada em casa.

- Essas crianças estão carentes de micro-nutrientes porque elas têm uma alimentação errada em casa. É muita carne, massinha instantânea, que é mais rápido e mais fácil de preparar. Muitas vezes os pais já esperam os filhos na creche, e para suprir a falta de carinho e por ter passado o dia inteiro fora, levam bolachinha recheada, pacotes de salgadinhos, balas, enfim, tudo que não é saudável. Um avanço que já conseguimos foi proibir a entrada de qualquer guloseima como doces, salgadinhos e refrigerantes nas creches. Quem permitir isso está infringindo a lei – ressalta a coordenadora, acrescentando que o setor de Alimentação Escolar está aplicando mais medidas:

- Pretendemos fazer uma mudança na alimentação das crianças. Vamos usar dois dias por semana leite desnatado; a partir desta semana as creches começaram a receber pão integral. Vamos aumentar o teor de fibra e diminuir consideravelmente os lipídeos, as gorduras – disse Cleuza Borba. 


Resultados são reflexo de má alimentação e falta de atividade física 
Na campanha da Secretaria de Saúde, os exames de sangue das crianças são feitos pelos laboratórios de análises clínicas Saretta e Santa Lúcia. Os bioquímicos responsáveis relatam que há tempo são observados problemas de saúde nas crianças, relacionados à má alimentação.

- Os resultados mostraram um percentual pequeno de crianças anêmicas e, em contrapartida, um alto índice de taxas de colesterol alterado. Na última década deixamos de observar crianças desnutridas nos laboratórios de análises clínicas e começamos a verificar crianças com sobrepeso, ou com peso normal, mas com índices de colesterol e glicemia inadequados. Isso é reflexo de uma dieta desbalanceada, rica em carboidratos – diz Gabriela Coradini Abascal, farmacêutica bioquímica do Laboratório Santa Lúcia.

Ela destaca a importância da campanha e da educação para uma alimentação saúdável:

- Sabemos que a alimentação saudável além de mais dispendiosa ao bolso familiar é também mais trabalhosa, porque requer preparo e cuidados. Já abrir um pacote de bolacha recheada ou preparar um macarrão instantâneo são ações simples e rápidas e cada vez mais comuns na rotina das crianças. É preciso buscar o controle de consumo para não facilitarmos os desejos infantis e lamentarmos o adulto doente. O ponto forte desta campanha é que estamos trabalhando com duas forças poderosas: a educação e a infância. Ainda podemos ensinar as crianças e torná-las adultos mais saudáveis e conscientes do seu papel na manutenção da saúde.

O bioquímico Alexandre Nabaes Ferreira, do Laboratório Saretta, acrescenta que a iniciativa da Secretaria da Saúde também é importante para esclarecer a média dos índices de colesterol na população infantil.

- Não existe um consenso a respeito de qual o valor ideal para os índices de colesterol em crianças. Se aconselha que valores esperados devam estar em torno de 130 mg/dl. Aqui em Caçapava, há muito tempo venho observando que é raro crianças apresentarem valores inferiores a este. Por isso, este trabalho da Secretaria de Saúde vai apontar a média que a população infantil apresenta, depois poderemos avaliar se os resultados obtidos são altos. Por enquanto eu recomendaria cautela em crianças com mais de 170 mg/dl e cuidados especiais para aquelas que ultrapassarem os 200 mg/dl.

Ele explica que os índices de colesterol recomendados podem variar de acordo com a idade das crianças:

- Existe uma diferença metabólica nas diferentes faixas etárias, o que pode resultar em valores mais elevados para uma certa idade em relação a outra. Vários fatores genéticos e de hábitos alimentares também podem interferir nestes dados.

Alexandre também destaca a necessidade de orientar as famílias para que cuidem da alimentação e pratiquem atividades físicas:

- Estes resultados obtidos na campanha são reflexo dos hábitos diários: muita comida industrializada; pouca fruta e verdura; decadência das atividades físicas; falta de incentivo e valorização da educação física nas escolas; sedentarismo; muita televisão, vídeo game e computador. Com este trabalho da Secretaria, muitas crianças vão ter oportunidade de ser avaliadas e orientadas a se alimentar melhor e a praticar mais atividades físicas. Os pais terão que se ajustar às boas maneiras alimentares e se beneficiarem também desta mudança saudável.

 


Fonte: Gazeta de Caçapava

Gazeta de Caçapava