Opinião

O minério de Chumbo e suas implicações - por José Deni Rodrigues

Por farrapo.rs
04/02/2020 14:01
 

Foto: Divulgação
Com relação a retomada em mais um ciclo mineral na área adjacente das Minas do Camaquã, mais especificamente na região próximo ao Passo do Cação. Muito tem se falado sobre os riscos potenciais da exploração do minério de chumbo. E, sobre este tema e, apesar de não ser um profundo conhecedor da área técnica de mineração, sou um grande pesquisador do tema em questão. Tenho me debruçado em trabalhos técnicos e científicos como o “Dicionário de Mineralogia e Gemologia”, do amigo e experiente geólogo Pércio Branco, do “Manual de Mineralogia Descritiva” de autoria de, Cornelius S. Hurlbut Dana, dentre outros tantos e incontáveis trabalhos de cunho e caráter científico.

Portanto, o que se percebe é que o tema tem encontrado terreno fértil e tem sido disseminado amplamente por nossos opositores e por aqueles que, como se diz na fronteira: “Foram emprenhados pela orelha”. Tendo a desinformação, como carro chefe e principal veículo para colocar na cabeça dos incautos, perigos irreais com vistas a arregimentar um contingente considerável entre aqueles que pregam o “armagedon” junto ao nosso querido Rio Camaquã.

Dito isto, é de relevante importância que primeiro, esclareçamos alguns pontos: Sendo importantíssimo que façamos a distinção entre a GALENA e o CHUMBO propriamente dito. Mas antes, para respaldar tal conceito gostaria de estabelecer uma comparação entre a GALENA que será extraída nas Minas do Camaquã pela Empresa Nexa Resources e o minério de chumbo já passado pelo processo secundário de usinagem.

Convém lembrar que, enquanto a Companhia Brasileira do Cobre-CBC, que desde 1942 até 1996 explorou o minério de cobre, tendo o Ouro e Prata como subprodutos, neste longo período anterior ao ano de 1980, antes da construção da Barragem de Rejeitos, os efluentes da mineração eram descartados as margens do Arroio João Dias.

E, em todo este tempo, em quase quatro décadas em que, este processo ocorria, tirando os minerais acima mencionados e de interesse comercial (cobre, Ouro e Prata), os demais e incontáveis minérios presentes na formação geológica das Minas do Camaquã, eram rejeitados em forma de efluentes e descartados na natureza. Cabendo lembrar que, à época carecíamos de uma legislação ambiental semelhante à qual dispomos atualmente.

Inclusive, entre este inúmeros minérios descartados, dentre eles o propalado minério de chumbo, que em realidade era a Galena. Mas, neste período todo em que isto ocorreu em que, pessoas e principalmente crianças brincavam nas pilhas de rejeitos, sem contudo, termos sequer um ÚNICO CASO de contaminação palpável como a ocorrência de má formação congênita por exemplo. E porque isto nunca ocorreu???. Por um motivo simples e, a explicação é encontrada nos processos primários e secundários de mineração.


Beneficiamento x Usinagem

O que irá ocorrer nesta nova planta de mineração é exatamente o que já ocorria com a antiga CBC, ou seja. A mineradora irá apenas realizar o desmonte das rochas e realizar o processo de beneficiamento. Traduzindo: Irá realizar apenas o PROCESSO PRIMÁRIO e o minério continuará “In Natura”, apenas irá ocorrer a separação do material estéril do material do concentrado com valor comercial.

E, o processo secundário que é a usinagem, e é neste processo que ocorrem as contaminações, pois ao fundir a Galena (in natura) são gerados gases tóxicos e rejeitos contaminados.

Convém lembrar que, este processo secundário de usinagem não irá ocorrer nas Minas do Camaquã, sequer será realizado no Brasil. Pois o concentrado “in Natura” será dispostos em bags lacrados, colocados em containers igualmente lacrados e direcionados até o Porto de Rio Grande, onde será embarcado para a China.

E, somente neste país é que passará pelo processo de Usinagem. É importante que se diga que, a Galena na sua condição in natura, ela é inofensiva e é apenas mais um mineral disposto na natureza. E somente se tornará potencialmente perigosa após passar pelo processo de Usinagem, o que irá efetivamente ocorrer bem longe de nós.

Bem, face ao exposto fica claro que, os acidentes e as contaminações são sempre localizados durante o processo secundário de Usinagem e não no processo primário de Beneficiamento. Sendo este último, o que irá ocorrer aqui na nossa terra e, a ilação que tenta se fazer entre os processos, é com vistas a “contaminar” a cabeças dos leigos e incautos, com o claro objetivo de tentar desacreditar um projeto sério e barrar um novo ciclo de mineração que com toda a certeza irá transformar o cenário socioeconômico da nossa combalida região.

A Galena é um mineral composto de sulfeto de chumbo, e o mais importante dos minérios do chumbo e praticamente o único. Cristaliza no sistema cúbico, quase sempre em octaedros. Tem cor de chumbo, com um brilho metálico intenso e densidade 7,5. É geralmente encontrada em companhia de quartzo, esfalerita e fluorita. Serve para extração também de prata, pois geralmente contém este metal. Fórmula química: PbS.

A galena é um semicondutor e foi utilizado na confecção de diodos detectores antes da popularização do uso de dispositívos de germânio ou silício. É bastante conhecida entre os aficionados em eletrônica por propiciar a confecção de um rudimentar receptor de rádio que não utiliza qualquer tipo de fonte de energia externa para funcionar, o rádio de galena.

O Chumbo após passar pelo processo de usinagem, tem sido utilizado desde a época dos Romanos no Reino Unido. A indústria do chumbo ganhou ímpeto no começo de 1800, quando se utilizou minério localmente prospectado em muitas localidades naquele país, tais como Derbyshire e Cornwall. Tem incontáveis aplicações e estão presentes de forma inconsciente no nosso cotidiano e são empregados nas indústrias automobilística, farmacêutica, de eletroeletrônicos e na agricultura. O Chumbo encontra aplicações, sendo as principais nas Baterias, tintas e esmaltes.

Com relação à fiscalização no processo primário de Desmonte, britagem, moagem e flotação (Beneficiamento), deixamos para os órgão competentes. Até porque, está todo ele descrito no Processo de EIA (Estudos dos Impactos Ambientais) e no RIMA (Relatório dos Impactos Ambientais), os quais estão sob análise da FEPAM e aguardando a liberação da Licença Prévia (LP), pré-requisito básico para a implantação do Projeto Caçapava do Sul.

Por José Deni Rodrigues Silveira – (Derli)
Graduado em Gestão Ambiental – CREA-RS 239704


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