Arma de fogo foi usada em quase metade dos homicídios de mulheres no Brasil em 2024, aponta estudo
09/03/2026 08:17:51

Quase metade das mortes violentas de mulheres no Brasil foi cometida com arma de fogo em 2024. Os dados são do levantamento do Instituto Sou da Paz divulgado neste domingo (8). De acordo com a pesquisa “Pela Vida das Mulheres: o Papel da Arma de Fogo na Violência de Gênero”, 47% dos homicídios de mulheres registrados no país naquele ano foram cometidos com arma.

No total, 3.642 mulheres morreram em homicídios em 2024, segundo dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde. Esse total inclui todas as mortes de mulheres classificadas como homicídio, que reúnem óbitos provocados por agressão, feminicídio e também casos de morte decorrente de intervenção policial, segundo a metodologia do estudo.

O levantamento aponta que os homicídios de mulheres tiveram redução de 5% entre 2020 e 2024. No mesmo período, as mortes de homens caíram 15%. Ainda de acordo com o estudo, as mortes de mulheres por arma de fogo caíram 12% no período. Mesmo assim, o instrumento permanece como o meio mais utilizado nos homicídios de mulheres. Segundo a pesquisadora em segurança pública do Instituto Sou da Paz, Malu Pinheiro, a predominância das armas de fogo está ligada principalmente ao alto poder letal desse tipo de arma.

“Nos casos de feminicídio em que foram utilizadas armas de fogo, há até 85% mais chances de a vítima morrer do que quando outros meios de agressão são utilizados”, afirma. Os dados do relatório indicam que 1.492 homicídios de mulheres registrados em 2024 foram classificados como feminicídio, quando a investigação identifica que o crime ocorreu em razão da condição de gênero da vítima.

Esse tipo de crime representou cerca de 40% dos homicídios de mulheres registrados no país em 2024. A taxa representa um aumento em relação a 2023, quando 36,8% dos assassinatos de mulheres foram classificados como feminicídio. Segundo as estatísticas mencionadas no estudo, os feminicídios foram praticados principalmente com arma branca (48%) e arma de fogo (23%).

Casos recentes ilustram esse tipo de crime. Em fevereiro deste ano, a soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, foi encontrada morta com um tiro na cabeça no apartamento onde morava com o marido, no bairro do Brás, na região central de São Paulo. O companheiro, um tenente-coronel da PM, pediu afastamento da corporação após o caso, que passou a ser investigado pela Polícia Civil como morte suspeita.

Os dados indicam que a maior parte dos homicídios de mulheres ocorre em residências. Em 2024, 35% das mortes aconteceram dentro de casa e 29% em vias públicas em 2024. Parte dos registros não informa o local da ocorrência. Quando são desconsiderados os casos sem informação sobre o local, o levantamento aponta 45% das mortes em residência e 37% em vias públicas.

O levantamento aponta que 67,5% das mulheres vítimas de homicídio no país são negras, considerando mulheres pretas e pardas. Nos casos de violência armada, essa proporção chega a 72,3%.

Nas mortes com arma de fogo, a taxa entre mulheres negras mortas (66%) é mais que o dobro da registrada entre mulheres não negras (31%).

A maioria das vítimas tem entre 18 e 44 anos, faixa etária que concentra 68% dos homicídios de mulheres no país. Nos casos de violência armada, o maior número de ocorrências está entre 18 e 29 anos, com pico entre 18 e 24 anos (22%). Nos homicídios cometidos por outros meios, a distribuição é mais uniforme entre 18 e 44 anos. A região Nordeste concentrou 38% dos homicídios de mulheres registrados em 2024 e apresentou a maior taxa por grupo de 100 mil mulheres. Na região, 51% dos homicídios femininos foram cometidos com arma de fogo, percentual superior ao observado nas demais regiões. 

 

 

 

 

 

Jornal O Sul

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