
Otimista ou pessimista?
O brasileiro vive um momento de grande incerteza. Claro que nada é novo pois, momentos muitos semelhantes já foram vividos. Tem aqueles otimistas que acham que vai melhorar, tem os pessimistas e tem aquela turma que nem tá, simplesmente ficam olhando apenas o dia a dia e sem muita força para perceber a realidade. Tudo que vier fica bem! O que é importante neste momento é ter pelo menos uma ideia, do que pode acontecer no futuro, por exemplo em 2027. Esta noção pode servir como base para se preparar para os movimentos da economia, que vão afetar o seu bolso. Menos ou mais dinheiro no seu bolso? A economia faz parte da vida de todos e o dia a dia e os cenários futuros devem ser analisados para evitar surpresas. Converse com pessoas fora da sua roda de amigos, procure noticias de veículos de mídia oficiais, leia jornal, evite ficar vendo apenas um canal de televisão. Tenha a paciência de ouvir pessoas que pensam diferente de você. Aceite que alguém pode saber mais que você e filtre as informações que recebe. Ao invés de ser otimista ou pessimista, seja realista. Observe o momento presente e tente, a partir deste, olhar o cenário futuro. Eu estou vivendo bem? O que eu ganho é suficiente para satisfazer as minhas necessidades? Existe expectativa, a curto prazo, para que a minha receita aumente? As minhas despesas estão de acordo com a minhas receitas. O que eu posso fazer para melhorar o meu momento? Acredito que quando da reflexão destas perguntas vai surgir a percepção clara do seu sentimento de otimismo ou pessimismo do momento presente e do futuro. É hora de olhar em volta e ver o que realmente está acontecendo e para onde o barco está indo.
Indicadores segundo o Banco Central.
Finalizou o oitavo mês do ano e é hora de dar uma olhada de como estão os indicadores publicados pelo BC todas as semanas, através do Boletim Focus. A pesquisa ouve cerca de uma centena de economistas ligados ao setor financeiro os quais projetam as expectativas para o ano.
IPCA.
No inicio do ano o cenário era de que o índice fecharia em 4,06% e agora eles dizem que deve fechar em 5,01%. O ultimo dado divulgado pelo IBGE é de 4,44% e a tendência é de crescimento devido o efeito do El Ninõ e da continuação das guerras. Hoje o Brasil convive com dados irreais em vários seguimentos em que o Governo aposta em subsídios para que os preços permaneçam baixo. Um exemplo claro é os preços dos combustíveis que estão sendo contidos artificialmente. Um dia a realidade vai aparecer e a estimativa, é de que antes do final do ano, os preços voltem ao normal, ou seja mais elevados. Este ano já esta mais ou menos definido que a inflação chegue por volta de 5% e para o ano que vem fique em 4,28%, ou seja vamos continuar convivendo com inflação elevada.
PIB.
Para o BC, no inicio do ano, o PIB deveria crescer cerca de 1,80% em 2026. Hoje a estimativa é de 1,92%. Já esteve acima de 2% e a um mês estava em 1,99%. Para este ano já está praticamente definido de que deve fechar abaixo de 2% e para o ano que vem a projeção é de 1,5%. Estes dados apontam para um cenário de inflação elevada com um baixo crescimento da economia, podendo caminhar para uma recessão. O Governo está prevendo que o PIB em em 2027 cresça 2,46% um sonho, longe da realidade.
Selic.
A previsão para o ano de 2026 era de uma taxa Selic de 12,25% e agora o BC prevê que o juro feche o ano em 13,75%. Hoje a taxa está em 14%. É possível que na próxima reunião do Copom aconteça mais um corte e ela venha fechar em 13,75% no final do ano. Para o ano que vem o BC aposta numa taxa de 12%. Os últimos dados publicados indicam que a divida publica atingiu 82,4% do PIB com um crescimento acelerado de mais de 11% nos últimos anos. O pior é que ela deve continuar crescendo, gerando uma grande instabilidade no perfil internacional do Brasil. Esta situação gera incerteza nas finanças publica incentivando a saída de capitais em busca de portos mais seguros. Olhando para as variáveis analisadas é possível perceber a realidade dos cenários futuros. Inflação elevada e crescente, PIB baixo e em queda e juro muito alto são indícios fortes de que o Brasil, que já está com dificuldades e vai enfrentar mares turbulentos nos próximos anos. São números, é a realidade que tem que ser reconhecida.
Pense.
Se um dia fecharem-lhe as portas da vida, pule a janela!
Economista Harri Goulart Gervásio.
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