Alexandre Pires é alvo de operação da PF que investiga venda ilegal de cassiterita da Terra Yanomami
23/09/2026 12:55:17

O cantor e compositor Alexandre Pires foi alvo de uma operação da Polícia Federal (PF) nesta quarta-feira (23). Segundo informações do g1, a investigação apura a atuação de uma organização criminosa suspeita de lavagem de dinheiro e falsidade ideológica a partir da comercialização de cassiterita extraída ilegalmente da Terra Indígena Yanomami, em Roraima.
Batizada de Operação Disco de Ouro II, a ação cumpre 12 mandados de busca e apreensão e 17 ordens judiciais para o sequestro de bens e valores, expedidos pela 4ª Vara da Justiça Federal em Boa Vista. Não há mandados de prisão.

Também são alvos os empresários Diego Possebon e Matheus Possebon. Conforme o g1, Matheus foi empresário de Alexandre Pires, enquanto Diego é apontado pela investigação como operador central e líder da organização criminosa.

Os mandados contra Alexandre Pires são cumpridos em uma residência e na produtora musical do cantor, em Uberlândia, Minas Gerais, para a apreensão de mídias, documentos e bens.

 

Movimentações financeiras

De acordo com a investigação, Alexandre Pires e a empresa dele foram incluídos no chamado Núcleo Financeiro do grupo investigado. A suspeita é de que tenham sido usados para fracionar, ocultar e dissimular recursos obtidos por meio do esquema.

Ainda segundo informações divulgadas pelo g1, a empresa do cantor teria recebido R$ 4,4 milhões de contas ligadas ao esquema. O fluxo financeiro cruzado identificado durante a investigação chega a R$ 31 milhões.

O g1 informou que procurou a defesa de Alexandre Pires e aguardava manifestação até a última atualização da reportagem.

 

Investigação sobre cassiterita

A cassiterita é o principal minério utilizado na produção de estanho. Segundo a investigação, o grupo retirava o minério ilegalmente da Terra Indígena Yanomami e utilizava licenças de lavra garimpeira de Itaituba, no Pará, para simular uma origem legal.

A Polícia Federal já havia apreendido mais de 100 toneladas de cassiterita ilegal e cerca de um quilo de ouro na sede de uma empresa investigada por suspeita de garimpo ilegal na Terra Yanomami.

Após a apreensão, conforme a investigação citada pelo g1, o grupo teria ficado sem minério para cumprir um contrato internacional com uma empresa suíça. Para continuar a receber pagamentos antecipados, os investigados teriam usado armazéns em Manaus, no Amazonas, para enviar areia e pó de brita acompanhados de laudos químicos falsificados. O prejuízo estimado seria de US$ 48 milhões.

A Operação Disco de Ouro II é um desdobramento da primeira fase da investigação, deflagrada em 2023. Os investigados poderão responder, conforme a participação de cada um, por crimes como lavagem de dinheiro, organização criminosa, falsidade ideológica e operação irregular de instituição financeira, além de outros delitos que possam ser identificados.

 

 

g1rs

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